Um praticante de jiu-jitsu foi preso nesta sexta-feira (6) após uma série de agressões brutais contra duas mulheres em um prédio residencial na Zona Norte do Rio de Janeiro. O episódio de extrema violência durou quase três minutos e foi integralmente registrado por câmeras de segurança do edifício.
Dinâmica do ataque brutal no elevador
A confusão começou quando uma família chegou desesperada à portaria do condomínio. Ao ouvir os gritos de socorro, uma moradora decidiu intervir e subiu de elevador até o andar onde o agressor já havia espancado uma senhora de 81 anos. Ao abrir as portas e se deparar com o suspeito, ela própria se transformou em mais um alvo da violência.
As imagens mostram o praticante de artes marciais desferindo chutes, uma sequência de socos, cotoveladas e até mesmo estrangulando a vítima dentro do elevador. De acordo com o relato de testemunhas, o morador já havia invadido outros apartamentos antes de cometer os atos de extrema violência. A idosa de 81 anos precisou ser hospitalizada e está internada com traumatismo craniano.
Prisão e investigação por tentativa de feminicídio
O agressor foi identificado como Lucas Portela Fontana Gomes. No momento da abordagem policial inicial, ele resistiu à prisão e tentou tomar a arma de um agente, o que resultou em um disparo na perna dele.
Após receber atendimento médico e prestar depoimento, Lucas foi inicialmente liberado porque o caso havia sido registrado de forma preliminar apenas como lesão corporal. Contudo, após análise rigorosa das imagens de segurança e constatação da gravidade do estado de saúde das vítimas, a autoridade policial representou pela prisão preventiva.
O suspeito acabou detido nas primeiras horas da manhã de sexta-feira sob acusações de tentativa de feminicídio, lesão corporal, ameaça e violação de domicílio.
“Segundo a vítima informou, ele só gritava: ‘Já que ninguém me ajuda, eu vou matar todo mundo, eu vou matar todo mundo'”, diz o delegado Álvaro Gomes.
Um funcionário do condomínio, que preferiu manter a anonimidade por razões de segurança, relatou o horror presenciado no local com a voz modificada por tecnologia:
“Foi uma coisa bárbara. Ele chutando a cara dela. Dá até vontade de chorar porque coisa difícil. Foi muito chute na cara, muito chute na cara mesmo”.
Para a polícia, a escolha das vítimas — duas mulheres consideradas vulneráveis, incluindo uma idosa — aponta para motivações de ódio de gênero.
“Por que que ele não procurou um homem, sobretudo um homem do tamanho dele para fazer essas agressões? Porque ele é um sujeito muito grande, muito forte. Mas foi justamente mulheres e mulheres ainda mais frágeis. Então, a gente tem que apurar tudo isso ainda para ter essa certeza, mas eu acredito que seja realmente um crime pela misoginia, pela questão desse ódio aí às mulheres”, diz o delegado Álvaro Gomes.






