A Santa Casa de Misericórdia de Araxá e o Hospital Casa do Caminho anunciaram, nesta quinta-feira (5), a suspensão de todos os novos atendimentos médicos. A medida, que impacta diretamente a rede de saúde local, foi comunicada pela Associação de Assistência Social da Santa Casa de Misericórdia de Araxá, entidade responsável pela gestão de ambas as unidades.
Impacto na rede SUS
Conforme a administração, o serviço foi interrompido devido a um cenário de escassez de recursos. Em nota, a gestão explicou que as unidades “não dispõem, neste momento, de condições financeiras e materiais para assumir novas demandas assistenciais”. Apenas casos de urgência e emergência obstétrica seguem sendo atendidos, sem previsão de retorno à normalidade.
A associação reforçou que a decisão visa “preservar os recursos remanescentes para garantir a continuidade do tratamento e a assistência aos pacientes que já se encontram internados”. O atendimento nas instituições é voltado majoritariamente para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Posicionamento da Prefeitura
A Prefeitura de Araxá declarou que acompanha o desenrolar da crise com “atenção e profunda preocupação”. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os pagamentos estão rigorosamente em dia, incluindo um aporte de R$ 756 mil realizado na última quarta-feira (4).
“O município investiu R$ 40 milhões somente em 2025, exclusivamente com recursos próprios, para garantir a assistência hospitalar à população. Além disso, há meses mantém diálogo permanente com as instituições, acompanhando as dificuldades financeiras e assistenciais e buscando alternativas para evitar o agravamento da situação”, afirmou a Prefeitura de Araxá.
Contexto de crise
O sistema de saúde em Araxá enfrenta instabilidades há algum tempo. Em junho, funcionários da enfermagem realizaram manifestações devido a atrasos salariais. Já em setembro, o Poder Executivo antecipou o repasse de uma parcela de convênio para auxiliar na manutenção dos serviços, mesmo pendente a prestação de contas.
Recentemente, a crise também chegou ao Legislativo. Na Câmara Municipal, o vereador Rodrigo Investigador apontou a saída do diretor-superintendente e solicitou apurações sobre eventuais irregularidades administrativas e financeiras. Enquanto isso, o Ministério da Saúde informou que não foi notificado oficialmente sobre a paralisação, ressaltando que os repasses estaduais estão sendo realizados. O município segue articulando com o governo estadual e federal para viabilizar o fluxo de pacientes e evitar o colapso do atendimento na região.






