O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta 5ª feira (5.nov.2026) com os principais nomes que devem ajudá-lo na condução da política econômica de seu 4º mandato. O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, esteve entre os presentes.
Dúvidas na equipe econômica
A reestruturação da equipe econômica ainda não está definida. A principal incógnita é a sucessão no Ministério da Fazenda. Os nomes mais cotados para o cargo são o do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Principais nomes ouvidos por Lula
- Geraldo Alckmin – ex-integrante do PSDB, ele tem 73 anos. Médico de formação, também é ex-governador de São Paulo e político renascido admirador de Lula;
- Fernando Haddad – advogado, petista e ex-ministro da Fazenda de 63 anos, perdeu duas eleições seguidas para governador de São Paulo (2022 e 2026). Na sua gestão no governo Lula 3, a dívida pública disparou;
- Dario Durigan: ex-funcionário da Meta, ocupou o cargo de relações institucionais para o WhatsApp de 2020 a 2023, quando entrou para o governo Lula. Advogado de 42 anos formado pela USP (Universidade de São Paulo), foi o responsável, junto com Haddad, pela disparada dos gastos públicos;
- Miriam Belchior – petista histórica de Santo André de 68 anos, foi casada com Celso Daniel (1951-2002), que foi prefeito da cidade. Formada em engenharia de alimentos pela Unicamp e administração pública pela FGV (Fundação Getulio Vargas), hoje é ministra-chefe da Casa Civil de Lula;
- Bruno Moretti – economista e ministro do Planejamento, é hoje o predileto de Lula. Moretti convenceu o presidente de que seria possível reajustar o Bolsa Família, zerar dívidas de MEIs (microempreendedores individuais) e oferecer ônibus de graça nos fins de semana em cidades de todo o Brasil;
- Esther Dweck – economista filiada ao PT de 49 anos, tem passagens pelo governo federal durante a administração de Dilma Rousseff (PT). Hoje, é ministra da Gestão e da Inovação;
- Aloizio Mercadante – economista da Unicamp e filiado ao PT, de 72 anos, é hoje presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social),. Mercadante foi candidato a vice-presidente na chapa de Lula em 1994 e convenceu a todos no PT de que o Plano Real seria um fracasso. Não foi. Lula foi derrotado no 1º turno pelo tucano Fernando Henrique Cardoso;
- Guido Mantega – ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma, tem 77 anos. Recentemente, voltou a ganhar notoriedade por ter trabalhado como lobista de Daniel Vorcaro e chegou a levar o fundador do Banco Master para uma conversa com Lula no Planalto em dezembro de 2024;
- Luciano Coutinho – economista e ex-presidente do BNDES, tem 80 anos e longa carreira assessorando políticos. É próximo do PT. Em 1989, fez o programa de governo para a economia de Ulysses Guimarães (1916-1992), que concorria a presidente e ficou só em 7º lugar, com menos de 5% dos votos;
- Eduardo Moreira – empresário de 50 anos que ganhou dinheiro no mercado financeiro (foi sócio do antigo Banco Pactual, onde ficou até 2009). Rico, passou a defender ideias de esquerda e fundou o ICL (Instituto Conhecimento Liberta), que abriga vários pensadores simpáticos ao governo Lula;
- Laura Carvalho – economista da USP e pesquisadora da FGV de 42 anos, tem dado entrevistas dizendo que a Faria Lima deseja que Lula adote o programa econômico que havia sido prometido por Flávio Bolsonaro (PL).
Diretrizes e convergência
A presença dos convidados indica a continuidade da orientação adotada no 3º mandato, caracterizada pela utilização do gasto público, de programas sociais e de investimentos governamentais como estratégias de estímulo ao crescimento econômico.
Durigan afirmou depois da reunião que houve “elevada convergência” entre os participantes sobre as diretrizes econômicas. Disse, porém, que medidas específicas não foram discutidas.
Cenário de tensão no mercado
O encontro se deu em um cenário de tensão nos mercados. Em 26 de outubro, um dia depois da confirmação da reeleição de Lula, o Ibovespa registrou forte queda e a B3 precisou acionar o mecanismo que interrompe as negociações em momentos de estresse extremo.
Nesta 5ª feira, o dólar comercial fechou em alta de 0,67%, cotado a R$ 5,489. Já o Ibovespa recuou 0,82%, aos 166.191,45 pontos. O principal fator de pressão foi a piora do ambiente em Nova York. A venda de ações de empresas de IA (inteligência artificial), semicondutores e data centers aumentou a aversão ao risco e levou investidores a reduzir posições em mercados emergentes.






