O governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (5.nov.2026) uma diretriz clara para o setor de mineração: o Brasil busca ativamente investimento internacional para explorar e industrializar minerais críticos, desde que os projetos estejam alinhados às novas exigências nacionais. A política prioriza a soberania sobre materiais estratégicos e a transformação dessas riquezas dentro do território brasileiro.
O papel do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce) A estratégia foi consolidada durante a primeira reunião do Cimce, realizada no Palácio do Planalto. Na ocasião, foi aprovada a lista oficial de 27 elementos prioritários, sendo que nove deles terão controle máximo. O objetivo é utilizar o conselho como um mediador e filtro para garantir que o fluxo de capital estrangeiro caminhe lado a lado com a segurança jurídica e o desenvolvimento nacional.
Sobre a necessidade de estabilidade econômica para convencer o mercado, o presidente Lula afirmou: “Para a gente atrair [investimentos] a gente vai ter que ter uma economia arrumada. Ninguém vai querer vim fazer investimento numa economia totalmente desordenada”. O presidente também reforçou que o Estado não pretende atuar como “senhor supremo” de todas as etapas do processo.
Diversificação de parcerias e soberania Apesar da pressão externa, especialmente de negociadores norte-americanos que buscavam limitar a participação de outros países no setor, o governo brasileiro mantém uma postura de abertura diplomática. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressaltou que o país está disposto a dialogar com diversas nações, incluindo China, Estados Unidos, Rússia e Inglaterra.
Sobre a origem dos recursos, Silveira declarou: “Não tem que segregar investimento, desde que ele seja feito dentro do espírito de desenvolver ciência, tecnologia, emprego, renda, inteligência no Brasil. Simples assim”.
Regras de triagem e o futuro do setor Embora o governo busque atrair projetos, a preocupação do setor privado, majoritariamente composto por capital estrangeiro, gira em torno das novas mecanismos de triagem. Ainda não foram definidos os valores mínimos ou prazos para a análise de contratos e transferências societárias pelo conselho. A expectativa é que critérios mais específicos sejam debatidos na próxima reunião do Cimce, prevista para o final de novembro.
O ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, destacou que o Cimce atuará como uma “porta de entrada” para investimentos, visando atrair projetos que tragam valor agregado. Por outro lado, o representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no conselho, Avila Nóbrega, sublinhou a importância de garantir regras “estáveis e previsíveis” para projetos de longo prazo, além de pedir o fortalecimento da ANM e do Ibram.
O modelo de desenvolvimento pretendido pelo governo espelha casos como o da Indonésia e da Malásia, onde a exigência de industrialização local transformou a exportação de matéria-prima em um hub de fábricas de alta tecnologia.






