Desde que Donald Trump reassumiu a presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2025, a política migratória do país passou por transformações significativas. O cenário atual é marcado por uma redução acentuada no número de abordagens de migrantes na linha divisória com o México, contrastando com um crescimento expressivo nas operações de detenção realizadas pelo serviço de imigração dentro do território americano.
A dinâmica na fronteira e o papel do ICE
Os registros mensais de encontros entre autoridades e migrantes na fronteira, que chegaram a quase 300 mil durante a gestão de Joe Biden, iniciaram um declínio que se consolidou após a posse de Trump, mantendo-se em níveis reduzidos até agosto de 2026. Vale ressaltar que esses números contabilizam interceptações e não o total de indivíduos distintos, já que uma mesma pessoa pode ser contabilizada mais de uma vez ao tentar cruzar a divisa.
Em contrapartida, a fiscalização interna intensificou-se. Enquanto as detenções mensais conduzidas pelo ICE, o órgão responsável pela imigração, giravam em torno de 8 mil ao final do mandato de Biden, sob a atual gestão os números saltaram, superando a marca de 20 mil em diversos meses e atingindo patamares próximos de 40 mil em picos específicos observados até julho de 2026.
Queda em programas de refúgio e vistos especializados
Além das operações físicas, o governo americano também registrou uma diminuição drástica no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Após contabilizar cerca de 100 mil admissões de refugiados em 2024, o volume caiu para 38 mil em 2025 e recuou para aproximadamente 16 mil em 2026, conforme dados coletados até setembro.
Outro ponto de atenção é o programa de vistos H-1B, destinado a profissionais estrangeiros com ocupações especializadas. As inscrições, que totalizaram cerca de 780 mil no ano fiscal de 2024, sofreram quedas consecutivas, descendo para 480 mil em 2025 e 360 mil em 2026. É importante pontuar que essa tendência de baixa no H-1B teve início antes da atual administração, e os números referem-se ao processo de seleção, não representando necessariamente o total de vistos emitidos.
Barreiras físicas e contexto das mudanças
O governo também avançou na expansão das estruturas físicas na fronteira com o México. Mapeamentos realizados até outubro de 2026 detalham trechos concluídos, obras em andamento e novos projetos. Entretanto, especialistas apontam que a distribuição dessas barreiras não permite afirmar, de forma isolada, que a construção das estruturas seja a causa direta da queda nas abordagens.
Em suma, os indicadores demonstram que as alterações migratórias sob o segundo mandato de Trump são multifacetadas. A redução das interceptações na fronteira, o endurecimento das detenções internas e a restrição a refugiados e trabalhadores especializados compõem fenômenos distintos que, somados, refletem uma mudança profunda na gestão da imigração nos Estados Unidos.






