O governo federal agendou para a próxima sexta-feira (6.nov.2026) a primeira reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com expectativa de aprovar novas resoluções sobre transição ecológica, eletromobilidade e reaproveitamento de materiais.
Participação de Guilherme Boulos e catadores
De acordo com informações obtidas, o Ministério de Minas e Energia encaminhou um convite formal ao ministro Guilherme Boulos, titular da Secretaria Geral, para integrar o debate. O gestor, responsável pela articulação política e social do Planalto, deve atuar como representante do setor de catadores na criação de um grupo voltado à valorização energética.
Além dele, a secretária-executiva do Comitê Interministerial para Inclusão Socioeconômica de Catadoras e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis, Lea Rocchi Sales, também recebeu convite para participar do encontro ministerial.
Aproveitamento energético e mercado de carbono
A pauta principal gira em torno da conversão de resíduos sólidos, líquidos e gasosos em energia elétrica, térmica, a vapor, além da produção de biogás, biometano, biocombustíveis, hidrogênio de baixa emissão e combustíveis sintéticos.
A iniciativa pretende conectar o reaproveitamento de dejetos ao recém-regulamentado Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, estruturando assim o mercado regulado de carbono no país e impulsionando mecanismos voltados à descarbonização.
O CNPE atua como o principal formulador de diretrizes para o setor energético brasileiro, sendo liderado pelo Ministério de Minas e Energia e formado por 21 ministros votantes. Membros externos participam ocasionalmente para assessorar temas específicos, embora sem direito a voto nas deliberações oficiais.
Agenda verde e preparação para a COP31
As discussões sobre sustentabilidade ocorrem estrategicamente às vésperas da viagem do presidente Lula para a COP31, que acontecerá na Turquia, buscando consolidar avanços ambientais na matriz nacional.
Entre os tópicos previstos estão a validação das diretrizes do Plante (Plano Nacional de Transição Energética) e a fundação de um comitê específico para acompanhar a pauta. O colegiado também avaliará o plano interno para redução gradual do uso de combustíveis fóssels, texto que ainda depende do aval definitivo do Executivo.
Completando a pauta econômica e ambiental, o colegiado debaterá a implementação de um grupo voltado à eletromobilidade, alinhando-se à recente consulta pública lançada pelo governo em outubro para estruturar a infraestrutura de recarga de veículos elétricos no Brasil.






