O PL vive um momento de forte divisão interna sobre a possibilidade de lançar ou não uma candidatura própria à presidência da Câmara dos Deputados. O debate ganhou força após a oficialização do nome de Rogério Marinho (RN) para a disputa na presidência do Senado, em encontro realizado na última quarta-feira (4).
Discussões internas com a cúpula partidária O tema central foi debatido em reunião realizada na terça-feira (3) com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e outras lideranças expressivas. A bancada encontra-se atualmente fragmentada entre um grupo pragmático, que defende a composição de forças, e uma ala que prioriza a independência política da legenda.
O argumento do pragmatismo e o risco de isolamento Os parlamentares favoráveis à aliança com o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), alertam que ficar de fora do grupo político deixará a legenda sem poder de barganha.
Até o momento, Motta já assegurou o apoio de 15 partidos, estruturando a maior aliança da Casa. Cálculos de técnicos legislativos apontam que, caso fique de fora desse grande bloco, a sigla terá apenas a 16ª escolha na distribuição de comissões permanentes, o que relegaria o partido a colegiados de menor relevância.
“Um gesto como esse [lançar candidatura contra Motta] nos deixaria fora do bloco. E estar fora do bloco significa não ter nenhuma comissão relevante. Ou seja, seríamos apenas coadjuvantes por dois anos”, aponta um parlamentar participante das articulações.
A memória da eleição no senado Integrantes desta ala mais moderada recordam o precedente de 2023 no Senado, quando a insistência de Marinho no confronto contra Rodrigo Pacheco resultou na derrota e no posterior isolamento do partido, que ficou sem comissões e sem representação na Mesa Diretora. O episódio é citado por deputados que afirmam que a legenda “se arrependeu amargamente” daquela estratégia.
A defesa da ala independente e a pressão da base Em contrapartida, grande parte da bancada, especialmente os deputados novatos, defende o lançamento de uma candidatura própria, seja para vencer ou apenas para marcar posição política perante os eleitores.
Um dos participantes do encontro com a cúpula partidária destacou que o sentimento de autonomia em relação a Hugo Motta é predominante entre os novos parlamentares.
“Queremos uma candidatura própria, seja pra ganhar ou para perder”, declarou um deputado sob reserva.
A insatisfação com alianças e o fator pt Para este grupo, o desgaste perante a base eleitoral seria grande caso a sigla decida apoiar Motta e figure no mesmo bloco político do PT. A insatisfação aumentou após declarações públicas do presidente da Câmara em favor da reeleição do presidente Lula (PT).
Além disso, os defensores de um nome independente relativizam a importância das comissões temáticas. Segundo essa avaliação, os colegiados perderam força nos últimos anos devido à prática frequente de aprovação de urgências e votações diretas em plenário.
Outro ponto levantado é a dependência do Executivo em relação às emendas de comissão, recursos que não possuem execução obrigatória pelo governo federal e dependem de negociações diretas com o Palácio do Planalto.
A posição de figuras de destaque na legenda O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) manifestou-se abertamente a favor de uma candidatura própria e mencionou os nomes de Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
“Eu vejo que espaços na Câmara têm um peso menor do que a gente simplesmente estar junto, caminhando junto com o Hugo Motta e ter algum tipo de espaço, prioridade, comissões dentro da Câmara”, afirmou Nikolas.
“Minha posição é que existem coisas maiores em jogo agora do que meras comissões, que são importantes, mas que agora o peso maior é uma resposta que a gente tem que dar ao povo brasileiro”, complementou.
Próximos passos e articulações externas A definição oficial sobre a estratégia na Câmara deve ocorrer na próxima quarta-feira (11), data prevista para a reunião da bancada. Enquanto o PL discute internamente seus rumos, o PT — que já formalizou apoio a Hugo Motta — atua nos bastidores para impedir a entrada da oposição no bloco majoritário, impondo o isolamento do partido rival como exigência para a permanência na aliança.






