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Governo brasileiro vê impactos na política externa de Trump após avanço democrata

Com avanço democrata, Trump terá dificuldade em seguir com política externa atual, avaliam integrantes do governo Lula

Integrantes do governo brasileiro avaliam que o avanço expressivo do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos trará sérios obstáculos para a continuidade da política externa de Donald Trump. A expectativa no Palácio do Planalto é que o presidente americano encontre forte resistência para impor tarifas comerciais e implementar a chamada “Doutrina Donroe”, que trata a América Latina como zona de influência prioritária de Washington.

O impacto nas eleições de meio de mandato

Na madrugada de quarta-feira (4), os democratas conquistaram a maioria das cadeiras tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados, superando os republicanos em redutos históricos e modificando o cenário político para a segunda metade da gestão atual. Apesar de a diplomacia brasileira manter a cautela e não emitir notas oficiais — seguindo a praxe de não comentar pleitos estrangeiros e preservando o pragmatismo em meio a uma crise bilateral —, nos bastidores o clima foi de celebração entre assessores de Luiz Inácio Lula da Silva.

“Foi um 7 a 1. Os piores cenários para Trump se confirmaram. Tanto lá como cá são sociedades que prezam suas democracias, e demonstraram no voto. Retificaram o rumo do delírio autoritário”, afirmou um diplomata brasileiro de forma reservada.

Investigações e resistência burocrática

A avaliação no Itamaraty aponta que a nova configuração do Congresso americano abrirá margem para múltiplas frentes de investigação contra as ações dos primeiros anos da administração republicana. Essa pressão legislativa deve obrigar a Casa Branca a adotar uma postura mais moderada no âmbito internacional.

Um integrante do governo que acompanha as negociações com o USTR (Escritório Comercial dos EUA) sobre as tarifas impostas ao Brasil afirmou que técnicos do escritório já vêm oferecendo resistência nos últimos meses a dar aval a tarifas “intempestivas e autoritárias” determinadas por Trump. Com o risco ampliado de sindicâncias parlamentares, a máquina estatal americana tende a frear ainda mais essa agenda.

Além disso, congressistas democratas recém-eleitos chegam com a bandeira de investigar operações na América Latina, a exemplo das intervenções na Venezuela que resultaram na captura de Nicolás Maduro — atualmente detido em Nova York sob acusações de narcotráfico que ele nega e que podem levá-lo à prisão perpétua. O cenário indica menor espaço para ações unilaterais que desrespeitem a soberania regional.

Reflexos nas big techs e foco interno

Outro desdobramento relevante envolve a regulamentação das big techs. O perfil dos novos parlamentares aponta para a formação de uma coalizão bipartidária favorável ao controle dessas multinacionais de tecnologia, pauta que interessa diretamente ao governo brasileiro na tentativa de combater a desinformação e avançar com legislações semelhantes no Congresso nacional.

Analistas do governo federal também projetam que a Casa Branca voltará suas baterias para o cenário doméstico nos próximos anos, impulsionada pelas repercussões da Guerra do Irã, vista como estopim da derrota republicana. A tendência é que a administração intensifique o embate ideológico em torno de minorias, mirando imigrantes, muçulmanos e a população LGBTQIA+, enquanto diminui a pressão sobre rivais externos como Cuba e Irã.

Enquanto Brasília monitora os próximos passos da Casa Branca para calibrar sua estratégia diplomática, a relação bilateral segue repleta de pontos de atrito, que incluem o tarifaço comercial, a suspensão do visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, e suspeitas sobre o apoio americano na fuga de Flávio Bolsonaro do país.

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