Estreando nesta quinta-feira (5) nos cinemas do Brasil, o longa-metragem “Cavalo selvagem nove” aposta na parceria entre John Malkovich e Sam Rockwell para dar fôlego renovado à conhecida fórmula melancólica do diretor irlandês Martin McDonagh.
Atuações de destaque no cinema
A obra já é apontada como uma das grandes favoritas para a disputa do Oscar 2027 e surge como forte candidata a render a primeira estatueta da carreira do veterano John Malkovich, de 72 anos. Ao lado dele, Sam Rockwell — que já faturou o prêmio de ator coadjuvante por “Três anúncios para um crime” — ajuda a equilibrar o carisma e a repulsa exigidos pelos papéis principais.
Na trama, Malkovich interpreta um espião da CIA viciado, politicamente incorreto e envolvido em diversos golpes internacionais, transformando-se em uma figura paradoxalmente simpática que reflete sobre a mortalidade. A dinâmica entre os dois protagonistas evoca duplas clássicas do cineasta, como as formadas em “Na mira do chefe” e “Os banshees de Inisherin”, mas com uma química própria adaptada à energia ensolarada da Ilha de Páscoa.
Bastidores da inteligência americana
O roteiro assinado por McDonagh acompanha a derradeira missão de dois agentes secretos estadunidenses em solo chileno, pouco antes do golpe militar de 1973 financiado pelos Estados Unidos. O personagem mais velho, debilitado por uma doença, passa a incomodar os superiores ao cogitar a publicação de suas memórias explosivas em uma autobiografia.
Contando com a fotografia assinada por Ben Davis e a montagem de Mikkel E. G. Nielsen, o projeto ganha dinamismo e urgência, impulsionado também pela presença de Steve Buscemi no elenco. Embora tenha levado anos para sair do papel, a narrativa acaba dialogando de maneira inevitável com debates contemporâneos sobre intervenções governamentais e corporativas na América Latina.






