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Ribeirão Preto calcula prejuízo de R$ 50 mi após temporal e aguarda verbas

Ribeirão Preto estima prejuízo superior a R$ 50 milhões 3 meses após temporal e diz aguardar verba para novas obras

Três meses após ser atingida por um forte vendaval com ventos que alcançaram 160 km/h, a administração municipal de Ribeirão Preto calcula um prejuízo total superior a R$ 50 milhões. O temporal deixou um rastro de destruição na infraestrutura urbana e em prédios públicos, fazendo com que a gestão local passasse a aguardar a liberação de recursos dos governos estadual e federal para conseguir executar reformas mais complexas em locais como o Centro Pop, a Escola Municipal Professor Nagib Jorge e os teatros Municipal e de Arena.

Balanço financeiro e recursos externos Desde o final de julho, os cofres municipais receberam R$ 11,5 milhões, dos quais cerca de R$ 8,5 milhões já foram aplicados em ações emergenciais. Desse total de recursos externos e livres, R$ 2,48 milhões vieram de um convênio firmado com a Defesa Civil do estado de São Paulo, enquanto outros R$ 6 milhões foram devolvidos pela Câmara Municipal para dar suporte ao caixa do executivo.

Outros aportes incluem R$ 1,2 milhão repassados pela União para as áreas de saúde e assistência social, além de uma mobilização do setor privado que arrecadou aproximadamente R$ 1,5 milhão em doações e na reforma de uma unidade básica de saúde. Contudo, o montante expressivo não cobre todas as demandas de reconstrução, que continuam dependendo de novas transferências de verbas federais e estaduais.

“Eu não posso dar prazo para você quando envolve terceiros. Fica difícil eu falar da manutenção do Teatro Municipal ainda, quando a gente tem um projeto cadenciado no governo federal, esperando recurso. A gestão da prefeitura, assim que o recurso chegar, é ser rápido e fazer, isso a gente se compromete a fazer”, afirmou o secretário municipal de Governo, Jean Vicente.

Impacto ambiental e uso de contratos vigentes O tamanho da destruição na vegetação urbana elevou consideravelmente os custos operacionais do município. Um levantamento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente apontou a queda de 3 mil árvores. Nos noventa dias seguintes à tempestade, as equipes recolheram 9.976 caminhões de resíduos verdes, um volume pelo menos oito vezes superior à média mensal da cidade, que é de 1,2 mil caminhões.

“Esse é um contrato que é da prefeitura. O que acontece com os meus contratos? Eles ficaram muito mais caros, porque eu estou usando mais”, explicou o secretário.

Para contornar a situação sem burocracia excessiva, a Prefeitura optou por não celebrar contratos emergenciais inéditos. A administração utilizou atas de registro de preços já existentes nas pastas de Educação, Saúde e Infraestrutura, ampliando a demanda dos serviços para garantir agilidade nas reformas.

“A administração realmente não celebrou nenhum contrato porque tem contratos já para isso. Não teve um contrato novo emergencial. Como eu posso ampliar os contratos que eu tenho, a gente optou por usar os contratos que a gente já tem e pedir reforço de equipe”, explicou o secretário.

“Como ele entra como recurso próprio, que é aquele recurso livre, eu posso usar para tudo, para pagar contrato. Foi essencial para a gente poder, no momento de maior crise, falar com todas as empresas que têm contrato com a prefeitura: ‘amplie as equipes’”, disse Jean Vicente.

O que já foi feito e o que falta recuperar Graças ao uso das atas de manutenção, 23 das 24 escolas municipais afetadas conseguiram concluir os reparos rapidamente, permitindo a retomada das aulas. O caso mais grave ocorreu na EMEF Professor Nagib Jorge, onde a queda de um tronco de 90 toneladas causou danos estruturais inéditos, exigindo obras que fogem da rotina comum de manutenção.

“Na segunda-feira, quando as aulas voltaram, apenas cinco estavam fechadas. Dessas, passados dois dias, apenas uma continuou, que foi o caso mais grave da Nagib, onde caiu um tronco de 90 toneladas e teve um prejuízo sem precedentes. O resto, a gente entrou com a rotina de manutenção das escolas”, ressaltou Jean Vicente.

Atualmente, as intervenções de maior porte seguem sem cronograma de conclusão definido. Os teatros Municipal e de Arena continuam fechados enquanto aguardam o aval de projetos cadastrados no governo federal. O Centro Pop teve a sede destruída e atende temporariamente no Centro de Convivência do Idoso (CCI), na Avenida Saudade. Já o paisagismo e o replantio de praças e parques dependem de uma nova licitação de conservação urbana prevista para novembro, mantendo a dependência de repasses externos para a recuperação completa do município.

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