O governo de Israel repassou aos Estados Unidos informações de inteligência que indicam que o Irã estuda o uso de agentes químicos em um eventual conflito. A alegação dividiu autoridades norte-americanas, com parte do governo tratando o alerta como real, enquanto outra ala avalia que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu busca pressionar Washington a retomar a ofensiva militar.
Dúvidas entre aliados do Golfo
Israel também compartilhou o material com países do Golfo. Autoridades da região duvidam dos planos iranianos e avaliam que o governo israelense tenta empurrar os aliados para uma fase mais intensa do conflito. Teerã já admitiu no passado que desenvolveu capacidade química durante a guerra contra o Iraque, nos anos 1980, mas afirmou que desmantelou o programa. Autoridades norte-americanas que defendem a seriedade da ameaça citam o acúmulo de advertências sobre as preparações do Irã.
Paralelos com 2003 e memorando oficial
Parte dos funcionários dos Estados Unidos relembra o episódio de 2003, ocasião em que a inteligência norte-americana afirmou, de forma incorreta, que o Iraque possuía armas de destruição em massa. O receio é de que uma avaliação precipitada leve a um novo conflito baseado em informações falhas. A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Jay Clayton, enviou um memorando ao secretário de Estado, Marco Rubio, sobre o risco de ataques.
Rejeição iraniana e planos militares
O governo iraniano rejeita as alegações e Teerã classifica as acusações como “guerra psicológica” conduzida por Israel. O tema é sensível no país, que sofreu com ataques químicos durante a guerra contra o Iraque. Especialistas afirmam que cerca de 100 mil veteranos e civis iranianos enfrentaram problemas de saúde por décadas. Paralelamente à discussão da inteligência, o Comando Central dos Estados Unidos mantém um plano para iniciar ataques contra o Irã depois das eleições de meio de mandato. A operação começaria aproveitando a presença de três porta-aviões na região, com uma janela curta antes do retorno de um dos navios aos EUA no início de novembro.






