As urnas começaram a abrir em mais de oito estados americanos para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, que definirão o equilíbrio de forças no Congresso durante a reta final da gestão de Donald Trump. Uma nova pesquisa conduzida pela Reuters em parceria com o instituto Ipsos ouviu 1.765 adultos em todo o país entre os dias 30 de janeiro e 2 de fevereiro, revelando que a economia e o custo da sobrevivência diária pesam mais na decisão das urnas. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais entre os eleitores registrados.
Inflação e impacto na economia doméstica
O aumento no custo de vida desponta de forma isolada como o principal motor do eleitorado americano neste pleito. Cerca de 48% dos votantes consultados colocaram a alta de preços no topo de suas prioridades, superando temas como normas democráticas, citadas por 26%, e imigração, mencionada por 13%. O cenário econômico foi agravado pela escalada nos preços dos combustíveis, impulsionada pelo conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado em fevereiro. Além disso, 49% dos entrevistados relataram que as finanças domésticas pioraram desde janeiro de 2025, marco do retorno de Trump ao poder, enquanto apenas 13% viram melhorias e 37% não notaram alterações. Entre a população hispânica, a avaliação negativa atinge 54%.
O peso do governo federal e a geopolítica
A figura do atual presidente atua como um divisor de águas na campanha, com o próprio mandatário incentivando seus eleitores a tratarem o pleito como um referencial à sua gestão. O levantamento indica que 48% encaram o voto como uma manifestação de oposição, ao passo que 25% apoiam a administração atual e outros 25% descartam o fator presidencial. No âmbito externo, a ofensiva militar contra o Irã — justificada pela Casa Branca como medida indispensável para travar o programa nuclear iraniano — divide opiniões: apenas 25% julgam que a intervenção justificou os custos, contra 55% que discordam e 18% sem posição definida.
Debates sobre regras eleitorais e costumes
A confiança na lisura do processo de votação apresenta contrastes marcantes na sociedade americana. Embora 77% dos eleitores expressem fé na contagem dos sufrágios, 45% enxergam a fraude eleitoral como um problema disseminado.
No campo dos costumes e da tecnologia, temas específicos mobilizam fatias significativas da população. Para 38% dos eleitores, a proibição de atletas trans em competições femininas tem peso crucial, enquanto 25% priorizam a defesa dos direitos dessa população. Já a regulação de infraestruturas tecnológicas preocupa 42% dos entrevistados, que defendem limites na expansão de datacenters voltados para inteligência artificial.
Financiamento de campanhas e preferências partidárias
O poder econômico dos bilionários na política gera amplo rechaço transversal. Uma maioria expressiva, composta por 93% dos democratas e 71% dos republicanos, reprova o fato de grandes doadores injetarem dezenas de milhões de dólares para moldar o rumo das campanhas federais.
Por fim, o cenário de preferência partidária permanece pulverizado. Os democratas mantêm uma leve vantagem na percepção pública, com 43% avaliando que a legenda apresenta propostas válidas, comparado a 39% que depositam confiança nas ideias sustentadas pelos republicanos.






