Plataformas digitais utilizadas para emitir avisos de emergência à população foram alvos de ataques virtuais nesta segunda-feira (2). Os incidentes provocaram a propagação de comunicados inverídicos sobre perigos aéreos, químicos e nucleares em solo ucraniano e russo.
Falsos alertas em Kiev
Na Ucrânia, o sistema oficial de notificações aéreas disparou avisos falsos pouco antes das 23h de domingo para a capital, Kiev, e outras províncias. Os textos mencionavam riscos de combates urbanos e ameaças radiológicas, incluindo o suposto lançamento de um míssil hipersônico Oreshnik.
A Força Aérea ucraniana detectou a invasão rapidamente, apontando como indício o fato de os textos terem sido redigidos em russo, idioma proibido em comunicados oficiais do governo.
“O aplicativo de alerta aéreo parece ter sofrido influência inimiga”, afirmou a Força Aérea. “Não há ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas atualizações em nosso canal!”
O Centro Ucraniano para Comunicações Estratégicas culpou Moscou pelo ato. O Ministério da Transformação Digital suspendeu temporariamente a plataforma, embora as sirenes tradicionais tenham continuado operando normalmente.
Invasão cibernética na Rússia
Horas mais tarde, o governo russo confirmou que sua própria ferramenta digital de emergência passou por uma situação semelhante de invasão por hackers.
“Atenção! O aplicativo móvel do Ministério de Situações de Emergência da Rússia foi alvo de um ciberataque em larga escala, o que permitiu aos atacantes enviar informações falsas à população”, declarou a pasta através do aplicativo Telegram.
Os textos enviados na Rússia falavam sobre supostos lançamentos de ogivas nucleares e orientavam civis a buscarem abrigos e estocarem suprimentos. O conteúdo, repleto de termos informais e ofensas ao país, foi reivindicado pelo grupo hacker pró-Ucrânia Atesh.
As autoridades russas tentaram diminuir o impacto do ocorrido, destacando que a ferramenta serve apenas como canal secundário de comunicação. “Pedimos ao público que mantenha a calma e confie apenas em fontes oficiais de informação”, reforçou o ministério.
Fim da trégua e negociações
A onda de ataques virtuais coincidiu com o encerramento de um cessar-fogo localizado em Oleshki, na região de Kherson, que durou de 27 de outubro a 1º de novembro com a intermediação da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.
“O cessar-fogo, que esteve em vigor de 27 de outubro a 1º de novembro, foi concluído”, declarou Dmytro Lubinets, comissário de direitos humanos do Parlamento ucraniano.
Enquanto isso, o conflito geopolítico segue gerando impasses diplomáticos envolvendo os Estados Unidos. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, condicionou o fim dos bombardeios contra refinarias russas a garantias de segurança por parte de Washington.
“Dissemos [a Washington] que, se querem que não ataquemos as refinarias russas, eles não devem atacar nosso sistema elétrico. Outra alternativa: que nos deem mísseis Patriot”, declarou Zelensky à Fox News.






