A vitória da esquerda em disputas eleitorais gera impactos diretos e diferenciados na economia, beneficiando grandes patrimônios enquanto prejudica a população de baixa renda. A avaliação foi feita pelo empresário Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e presidente do G4, durante sua participação no G4 Valley 2026, realizado entre 29 e 31 de outubro no São Paulo Expo, evento que reuniu cerca de 25 mil participantes.
Estratégias para super-ricos e o cenário de juros altos
Segundo o empresário, o atual panorama econômico favorece o deslocamento de capitais para o rentismo, impulsionado por taxas elevadas. Durante sua apresentação, ele detalhou a dinâmica financeira enfrentada pelos grandes investidores no país.
“Para os super-ricos, que é o meu caso, um governo de esquerda é ainda melhor”, relatou o empresário em entrevista a Oeste. “Porque é um Brasil de terra arrasada, juros altos, ou seja, não preciso tomar muito risco para enriquecer mais. Movo o meu capital para o rentismo, característica de um governo de esquerda. Muita gente vai piorar, vou comprar empresas com problemas de caixa. Contudo, penso nas pessoas e prefiro um governo liberal.”
Desafios diários e o papel do setor produtivo
Enquanto o topo da pirâmide se adapta ao mercado financeiro, as famílias de menor renda sofrem com a inflação e a restrição ao crédito. Diante desse cenário adverso, Tallis ressaltou que a classe empresarial historicamente enfrenta barreiras impostas pelo poder público, mas mantém a resiliência na geração de empregos e renda.
“É um prazer estar ao lado de homens e mulheres que verdadeiramente constroem o Brasil”, disse Tallis. “Nunca contamos com eles e eles nunca nos ajudaram, só nos atrapalharam. Pode acreditar no que estou falando: a gente vai vencer apesar deles.”
Pesquisa revela pessimismo entre pequenos empresários
O sentimento de descontentamento com o ambiente institucional é compartilhado por grande parte do ecossistema empreendedor. Uma pesquisa realizada pelo G4 em outubro com 800 fundadores e sócios de pequenas e médias empresas apontou que 75% consideram o cenário atual desfavorável. Além disso, 73% avaliaram o impacto da burocracia como alto ou insuportável, somando-se às preocupações com a alta carga tributária e as incertezas trazidas pela reforma nos impostos.
Para mitigar os impactos da crise e manter a operação ativa, especialistas presentes no encontro aconselharam os gestores a priorizarem o controle rigoroso do caixa, a adoção de tecnologias, a profissionalização da gestão e o foco estrito naqueles elementos que estão sob o controle direto da empresa.
Encerrando as discussões do congresso, que contou com nomes de destaque como Steve Wozniak, Alê Costa e Roberto Sallouti, a mensagem central direcionada aos executivos foi a necessidade de construir organizações sólidas capazes de prosperar independentemente das oscilações políticas e econômicas do país.






