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PEC da segurança é votada no senado e testa compromisso do governo lula com maioridade penal

Votação da PEC da Segurança colocará à prova intenções do governo Lula

A votação da Proposta de Emenda à Constituição da segurança pública nesta terça-feira, 3, colocará em foco o debate sobre a redução da maioridade penal. Caso a alteração seja aprovada no Senado, o texto precisará retornar para nova análise na Câmara dos Deputados.

Tramitação e histórico na câmara

Em março, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC sem prever qualquer mudança na idade penal. No entanto, o cenário mudou no Senado, onde parlamentares protocolaram emendas para fixar a imputabilidade em 16 anos para crimes hediondos, enquanto a oposição apresentou uma proposta ainda mais rigorosa, sugerindo o limite de 14 anos para os mesmos delitos.

Estratégia eleitoral e movimentação do governo

A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiou a discussão sobre a maioridade penal apenas nos dias que antecederam o segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, o líder do PT, Camilo Santana (PT-CE), protocolou uma emenda para baixar a idade para 16 anos em casos de crimes hediondos.

A iniciativa de Santana ocorreu exatamente no dia previsto para a análise da matéria. Devido à forte repercussão e ao racha gerado dentro do próprio partido, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), optou por adiar a apreciação para esta terça-feira.

Proposta da oposição e o debate político

No mesmo período, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, protocolou uma emenda própria com o endosso de Flávio Bolsonaro, então candidato à presidência, além do apoio de outros 36 senadores.

O texto oposicionista estabelecia a redução básica para 16 anos, mas abria a possibilidade de atingir os 14 anos em situações envolvendo crimes hediondos, tráfico de entorpecentes, terrorismo e atuação em organizações criminosas.

Embora o impasse tenha impulsionado a campanha de Lula na época, parte da bancada do PT agora defende a preservação integral da redação original que veio da Câmara em março.

O escopo original da proposta

A versão inicial aprovada pelos deputados federais focava em estruturar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), estabelecer diretrizes firmes contra milícias e facções, e permitir a criação de guardas municipais com atribuições civis. O projeto também ampliava a atuação da Polícia Rodoviária Federal para ferrovias e hidrovias federais.

Além disso, o plano original previa o custeio do setor por meio de repasses do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional aos estados e municípios, reservando ainda 10% do superávit do Fundo Social do pré-sal para a segurança pública.

Encerrado o período eleitoral, a deliberação no Senado servirá como um termômetro político para esclarecer se o endosso à redução da maioridade penal por parte do governo federal configurava uma medida efetiva ou apenas uma tática eleitoral.

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