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Bancos encarecem crédito imobiliário e pressionam mercado após alta de juros

Bancos elevam juros da casa própria e temem aumento dos gastos públicos

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desencadeou uma forte alta nos juros futuros, impulsionada pelo temor do mercado financeiro em relação ao controle dos gastos públicos. Como reflexo direto dessa turbulência econômica, grandes instituições financeiras como Bradesco, Itaú e Santander reajustaram suas taxas de financiamento imobiliário na última semana de outubro, tornando o crédito para a casa própria significativamente mais caro.

Impacto político e reação do mercado financeiro

O movimento de alta teve início no pregão seguinte ao segundo turno, com investidores expressando preocupação de que o governo mantenha a expansão das despesas sem adotar medidas concretas para estabilizar a dívida pública. Naquela segunda-feira, o contrato de juros futuros para janeiro de 2031 disparou para 15,72% ao ano, ante 12,642% do fechamento anterior. Para conter o cenário de instabilidade, o Tesouro Nacional precisou recompor R$ 7,1 bilhões em títulos prefixados.

A vitória eleitoral contrariou as expectativas de parte dos investidores, que esperavam mudanças na condução da política econômica. O mercado passou a exigir um prêmio de risco maior para emprestar recursos ao governo diante das dúvidas sobre o equilíbrio das contas públicas.

Sobre esse cenário, Alejo Czerwonko, diretor de investimentos para mercados emergentes da UBS Global Wealth Management, afirmou em entrevista à agência Reuters que os investidores esperam um compromisso com a regra fiscal. Segundo o especialista, o mercado quer medidas que interrompam a expansão dos gastos e estabeleçam um caminho para estabilizar a dívida.

A equipe de Lula anunciou a meta de buscar um superávit primário de aproximadamente 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. No entanto, analistas ainda aguardam detalhamento sobre a execução, especialmente considerando que a dívida pública brasileira supera 82% do PIB e que despesas obrigatórias, como aposentadorias, limitam a margem de manobra no orçamento.

Reajustes e encarecimento nos principais bancos

O Bradesco foi o primeiro a alterar suas condições, elevando a taxa mínima de 11,69% para 13,6% ao ano, além da Taxa Referencial (TR). Levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) apontou que algumas linhas do banco chegaram a cobrar juros de até 15% ao ano. O Itaú subiu sua taxa de 11,99% para 12,95% na quinta-feira, enquanto o Santander passou de 11,69% para 12,49% na sexta-feira. A Caixa Econômica Federal manteve suas taxas inalteradas até o final daquela semana.

As instituições justificaram as mudanças afirmando que precisam acompanhar o encarecimento do dinheiro captado no mercado. Como o crédito imobiliário utiliza prazos longos, a alta dos juros futuros pressiona o custo de captação necessário para manter as operações equilibradas.

Consequências para quem busca financiamento habitacional

O encarecimento das taxas eleva as parcelas mensais e reduz o montante que as famílias conseguem obter junto aos bancos. Como existe um limite de comprometimento da renda, o reajuste pode dificultar a aprovação do crédito, exigindo valores maiores de entrada ou a busca por imóveis mais baratos.

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) calcula que cada ponto percentual adicionado aos juros afasta cerca de 1,3 milhão de famílias do mercado de financiamento. O cenário ainda é agravado pela escassez de recursos na poupança — uma das principais fontes do setor —, que registrou saques superiores aos depósitos em R$ 53,2 bilhões entre janeiro e setembro.

Enquanto os contratos antigos com taxas fixas continuam preservados, quem já recebeu uma proposta mas não assinou o documento deve consultar a instituição financeira para verificar se as condições anteriores serão mantidas.

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