O conceito do Partido Conservador do Império, historicamente apelidado de saquarema, remonta a uma tradição política com mais de dois séculos de existência global. Bernardo Pereira de Vasconcelos atuou como o principal artífice dessa corrente no cenário nacional, cujo legado, embora tenha enfrentado períodos de instabilidade, persistiu mesmo após a queda do regime imperial brasileiro.
O debate político e o pleito presidencial
As disputas eleitorais recentes trouxeram à tona acusações severas contra a direita. Grupos políticos associados à campanha vitoriosa rotularam frequentemente os conservadores como opositores da democracia, das liberdades individuais e da justiça social, exigindo uma análise mais profunda à luz da trajetória política do país.
Conforme apontado pelo autor, a derrota eleitoral motiva reflexões independentemente de pressões ideológicas. Nesse contexto, vale resgatar a máxima atribuída a Cícero sobre a história ser a mestra da vida, contrapondo a narrativa de que o pensamento conservador representaria uma ameaça aos direitos sociais.
Marcos históricos e sociais do conservadorismo
Uma análise dos fatos revela a participação fundamental de correntes conservadoras e de centro-direita em conquistas institucionais e sociais cruciais:
- Abolição da escravidão: As leis abolicionistas foram promovidas por gabinetes conservadores durante o Império, incluindo a Lei do Ventre Livre em 1871, a Lei dos Sexagenários em 1885 e a Lei Áurea em 1888, contando com o apoio expresso da Família Imperial.
- Legislação trabalhista: A estruturação dos direitos laborais no país baseou-se na Doutrina Social da Igreja, incorporada no período getulista com forte respaldo do clero liderado pelo cardeal Leme.
- Combate ao preconceito: A pioneira Lei Antirracista de 1951 foi proposta pelo deputado federal Afonso Arinos de Melo Franco, figura de centro-direita vinculada à UDN.
- Reforma agrária e rural: O Estatuto da Terra e a criação do Incra, estabelecidos em 1964, integraram as iniciativas do regime militar, que se distanciava de matizes esquerdistas.
Diante desses episódios, o conservadorismo se sobressaiu historicamente como um elemento de contenção contra rupturas drásticas do tecido social em momentos críticos. As mudanças institucionais mais sólidas do Brasil decorreram da prudência de estadistas, e não de ímpetos revolucionários.
Por fim, a defesa da liberdade moderada pelo bem comum, do primado da lei e da dignidade da pessoa humana permanece como um alerta fundamental a ser direcionado à administração federal atual, sublinhando que tais valores dependem daqueles dispostos a protegê-los.






