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Ciência básica: conheça oito grandes avanços da medicina moderna

Conheça 8 avanços da saúde que partiram da ciência básica

Pesquisas fundamentadas na curiosidade e na busca pelo funcionamento dos fenômenos naturais sustentam grande parte das inovações médicas que utilizamos atualmente. Inovações cruciais como exames diagnósticos, terapias genéticas e tratamentos de ponta frequentemente não iniciaram com propósitos comerciais definidos, mas sim como investigações de ciência básica.

Entendendo a ciência básica e aplicada O biomédico e divulgador científico Lucas Zanandrez, fundador do canal Olá, Ciência!, explica que “A ciência básica pergunta como aquilo funciona. Já a ciência aplicada parte do pressuposto de que existe um problema que precisa do conhecimento científico para ser resolvido”, e acrescenta que “A diferença não está no método, nem uma é melhor do que a outra. Está na pergunta feita.”

O financiamento e a imprevisibilidade da inovação Enquanto investigações focadas em produtos atraem investimentos privados previsíveis, a ciência básica depende do suporte público e universitário. O biólogo Welbert de Oliveira Pereira, coordenador do curso de graduação em engenharia biomédica do Ensino Einstein, pontua sobre essa dinâmica: “Isso pode ser imediato ou acontecer daqui a décadas. A imprevisibilidade faz parte da evolução científica”. Lucas Zanandrez complementa comparando o processo a um “Você não sabe qual vai servir, então a gente precisa ter um estoque para, quando der problema, ter o que usar para resolver”.

A bactéria de Yellowstone e os testes PCR Na década de 1960, cientistas investigavam microrganismos em fontes termais de Yellowstone e isolaram a bactéria Thermus aquaticus. Anos depois, a enzima Taq polimerase extraída desse organismo viabilizou a técnica de PCR, utilizada hoje para diagnósticos precisos. Sobre esse encadeamento de saberes, Pereira destaca: “Para cada linha que puxamos nessa história, encontramos um conhecimento que alguém desenvolveu anos atrás, ainda sem muita aplicação, e que depois se transformou em algo mais concreto”.

Petúnias e o silenciamento de genes Tentativas de intensificar a coloração roxa de petúnias em 1990 geraram flores brancas inesperadamente, revelando o mecanismo de interferência por RNA (RNAi). A descoberta rendeu o Nobel a Andrew Fire e Craig Mello e abriu caminho para medicamentos contra amiloidose e hemofilia.

O veneno da jararaca e o controle da pressão Investigações brasileiras sobre o veneno da jararaca iniciadas na década de 1940 identificaram substâncias reguladoras da pressão arterial, permitindo que químicos desenvolvessem o captopril, medicamento referência no combate à hipertensão.

O avanço das vacinas de RNA mensageiro Estudos sobre as limitações e a inflamação provocada pelo RNA mensageiro, liderados por Katalin Karikó e Drew Weissman em 2005, somados ao desenvolvimento de nanopartículas lipídicas, criaram a base tecnológica que permitiu o lançamento recorde de vacinas contra a covid-19.

A defesa das bactérias como ferramenta genética As sequências repetidas de DNA em bactérias estudadas por Francisco Mojica permitiram que Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna criassem o sistema Crispr-Cas9. Sobre essa evolução, Welbert Pereira ressalta: “Alguém um dia estava fazendo pesquisa básica, estudando a biologia das bactérias. Naquela época, nunca se imaginou que isso se tornaria uma ferramenta para editar mutações humanas”.

Do hormônio intestinal ao lagarto venenoso O hormônio GLP-1 regulador de insulina e apetite encontrou uma versão de ação prolongada na exendina-4, encontrada no veneno do lagarto monstro-de-gila. Lucas Zanandrez observa sobre a descoberta: “Ninguém estava estudando esse lagarto pensando em obesidade”, o que impulsionou o desenvolvimento de tratamentos atuais contra diabetes e obesidade.

Átomos, ressonância magnética e imunoterapia Pesquisas sobre o spin nuclear na física da década de 1930 evoluíram para os exames de ressonância magnética atuais. Da mesma forma, investigações sobre as células T e proteínas inibidoras conduzidas por James Allison e Tasuku Honjo culminaram em inibidores de pontos de controle imunológico, transformando o tratamento oncológico e garantindo o Nobel de 2018.

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