O assassinato de Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, ocorrido na última terça-feira (27) em Rifaina, no interior paulista, é investigado pelas autoridades como feminicídio. O principal suspeito do crime é o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de São Paulo e é considerado foragido. O homem já possui histórico de condenação por descumprimento de medida protetiva contra uma ex-companheira.
A rotina de medo e controle De acordo com o relato de Pollyanna Botelho, amiga de infância da vítima que presenciou o crime, o suspeito apresentava uma postura extremamente possessiva. As duas eram moradoras da mesma rua em Perdizes, no Alto Paranaíba, e mantinham proximidade havia cinco anos. A testemunha explicou que a jovem nunca teve um compromisso sério com o pecuarista, mantendo apenas encontros casuais que ele tentava transformar em exclusividade à força.
“Ele queria ter posse dela. Ele queria ter ela só pra ele e não aceitava de forma nenhuma que ela interrompesse qualquer vínculo que existia”, relatou.
A pressão psicológica exercida pelo agressor era constante, utilizando-se inclusive de apelos dramáticos para atrair a vítima. A convivência era marcada por chantagens e intimidações frequentes.
“Com a pressão psicológica que ele fazia, ela acabava cedendo em algumas coisas por medo, por ameaças. Desde quando ela conheceu o Samuel, ela já não queria mais envolvimento nenhum”, pontuou a testemunha.
A estratégia do agressor incluía apelos simulando fragilidade para manipular a jovem.
“Ela continuou porque ele estava fazendo chantagem emocional com ela. ‘Se você não vier me ver, eu vou acabar morrendo, porque eu estou muito doente, você tem que vir me ver. Eu dou para você o que você quiser, mas vem, por favor, cuidar de mim’. Ela não estava indo [até Rifaina] porque ela estava com ele, até porque eles não estavam juntos, nunca estiveram de verdade. Mas, ele fazia essa chantagem emocional para que ela pudesse ir ver ele.”
Agressões físicas e monitoramento Dias antes do homicídio, em 23 de outubro, Priscila relatou ter sofrido agressões físicas por parte do pecuarista, cujas marcas foram visualizadas pela amiga. Investigações e depoimentos apontam que o suspeito chegou a ameaçar a vítima de morte e contratou terceiros para vigiar seus passos devido ao ciúme do novo relacionamento da jovem com Samuel Ramos, de 26 anos.
O desfecho trágico Na data do crime, Priscila viajou até Rifaina na companhia do irmão e da amiga para devolver uma caminhonete que o suspeito havia lhe entregado. Mesmo diante da apreensão da vítima, que encontrou dificuldades para achar o local indicado, o homem exigiu a presença dela pessoalmente.
“Ele mandou mensagem falando que não tinha como ir na cidade buscar [a caminhonete], porque ele não estava com nenhum automóvel, ele estava a pé. Ele insistiu com ela para que ela fosse até lá”, afirmou Pollyanna.
O encontro ocorreu próximo à Rodovia Cântido Portinari (SP-334). Durante uma discussão motivada por um aparelho celular que o pecuarista havia presenteado à vítima, ele sacou uma arma de fogo e efetuou os disparos. Priscila chegou a receber atendimento médico, mas não resistiu. O atirador fugiu do local utilizando o veículo da vítima. A defesa do suspeito informou que analisa os fatos e não havia conseguido contato com ele até o momento.






