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Binance reabre saques de criptomoedas após roubo milionário de hackers

Binance libera saques após ataque hacker que roubou US$ 6,3 bi da empresa

A Binance iniciou a liberação de saques de bitcoin, ether e outros ativos digitais neste domingo (1º), após sofrer uma invasão cibernética que resultou no furto de US$ 6,3 bilhões, o equivalente a R$ 34,2 bilhões. A plataforma de criptomoedas comunicou que já conseguiu repor cerca de 95% do montante levado por meio de fundos próprios, prometendo que a liberação dos demais ativos ocorrerá de forma gradual.

Retomada gradual e cobertura de prejuízos

Nesta primeira fase, a retomada contempla 15 criptoativos diferentes, incluindo XRP, dogecoin, bitcoin e ether. As retiradas de bitcoin voltaram a operar logo após as 3h (horário de Brasília), enquanto as transações de BNB, ether e das stablecoins USDT e USDC também foram normalizadas. Conforme a companhia, aproximadamente US$ 6 bilhões já foram empregados na aquisição de tokens para repor o material subtraído.

Os 5% restantes englobam ativos de baixa liquidez, cuja compra em grande escala demanda um prazo maior. A empresa garantiu que assumirá integralmente os danos financeiros da ocorrência, apontada por especialistas como uma das maiores fraudes da história do setor. O incidente coincide com a expansão global de delitos cibernéticos direcionados a moedas virtuais. Dados da TRM Labs apontam que cerca de US$ 2,9 bilhões foram furtados em quase 150 investidas contra o mercado no ano anterior.

Investigação aponta conexão com a Coreia do Norte

O FBI relacionou o incidente ao agrupamento TraderTraitor, vinculado ao governo da Coreia do Norte. Em nota divulgada no sábado (31), a força-tarefa americana relatou ter monitorado a movimentação dos fundos subtraídos, convertidos majoritariamente em ether.

As autoridades também apuram táticas para ocultar o rastro do capital, como o uso de plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) e serviços de troca imediata. Organizações de análise de blockchain, como Chainalysis e TRM Labs, identificaram padrões similares entre esta invasão e investidas passadas atribuídas a hackers norte-coreanos.

A maior parte dos US$ 6,3 bilhões foi drenada em aproximadamente 20 minutos a partir da noite de quinta-feira (29). O governo da Coreia do Norte nega sistematicamente empregar equipes de hackers estatais em furtos financeiros. As representações diplomáticas do país em Genebra e na China não se manifestaram sobre o caso.

Em contraponto às conclusões do FBI, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou no sábado que sua administração ainda carece de confirmação sobre o envolvimento de Pyongyang. “Não sabemos se é a Coreia do Norte, mas, se for, conversaremos com a Coreia do Norte sobre isso”, declarou a jornalistas, segundo publicação da Casa Branca no X.

Uso de reservas e impacto no mercado

Para estancar o rombo, a Binance separou cerca de US$ 6,34 bilhões de seu patrimônio, recorrendo ao caixa corporativo, a reservas de operações com futuros e ao Secure Asset Fund for Users (SAFU), criado para salvaguardar clientes em situações de crise.

O SAFU detém cerca de US$ 1 bilhão. No sábado, a co-CEO Yi He comunicou que metade desse valor seria aplicada na mitigação dos danos, com a promessa de reestruturar o fundo posteriormente.

O co-CEO Richard Teng classificou o episódio como um “ataque complexo”, que envolveu a invasão de um notebook e a execução de um software malicioso programado para apagar rastros, dificultando o trabalho pericial. O revés gerou retração nas cotações das moedas digitais na sexta-feira. No relatório anual de 2025, a empresa registrava 335 milhões de usuários e administrava cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos.

Changpeng Zhao, fundador da corretora, expressou reconhecimento público ao FBI e às agências dos Estados Unidos pelo suporte no rastreamento e bloqueio dos valores. Em postagem na rede social X, Zhao frisou que a intervenção governamental atenuou os reflexos da crise no mercado. “Um post não consegue expressar totalmente nossa gratidão. Muitos entusiastas de criptomoedas podem não perceber, mas grande parte do mérito por o bitcoin não ter caído ainda mais é deles”, escreveu. Zhao acumula uma condenação prévia nos EUA por falhas antilavagem de dinheiro, seguida de um perdão presidencial concedido por Donald Trump.

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