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Protestos na França mobilizam centenas de milhares contra governo

Educação e custo de vida: por que a França tem sido tomada por uma onda de protestos

Mais de 300 mil pessoas ocuparam as ruas em diferentes regiões da França neste sábado (31), em atos que voltaram a resultar em choques violentos contra as forças de segurança. A mobilização popular tem como foco central a cobrança por melhorias na prestação de serviços públicos e o combate ao aumento do custo de vida no país.

Confronto de dados sobre a adesão popular

O Ministério do Interior da França contabilizou 320 mil participantes no total do território nacional durante o sábado, sendo 70 mil apenas na capital, Paris. Por outro lado, a aliança composta por entidades sindicais e movimentos estudantis apresentou estimativas bem mais elevadas, calculando meio milhão de manifestantes no país, com 200 mil concentrados em Paris.

Esses números mostram uma variação em relação ao sábado anterior (24), quando a contagem oficial apontou 410 mil pessoas mobilizadas, enquanto os organizadores do movimento asseguravam que 800 mil indivíduos haviam protestado.

Origem do movimento e expansão das pautas

A atual onda de insatisfação social teve início em setembro, período em que a gestão de Emmanuel Macron começou a debater a proposta orçamentária para 2027, incluindo o congelamento de vencimentos para funcionários públicos. O estopim ocorreu quando estudantes trancaram a entrada de uma instituição de ensino na região metropolitana de Paris para exigir maiores repasses de verbas.

O descontentamento logo se espalhou para outras escolas, cujos alunos passaram a denunciar precariedade estrutural, superlotação nas salas de aula e um critério de acesso às universidades considerado iníquo. Com o passar das semanas, sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos — que ganhou notoriedade em 2018 protestando contra a alta dos combustíveis e da inflação — também aderiram aos atos.

Novas bandeiras e contexto de segurança

Durante a passeata em Paris neste sábado, os manifestantes exibiram cartazes com inscrições como “alerta climático” e “pelo custo de vida”. O assassinato de imigrantes em um ataque a tiros também inseriu a pauta antirracista nas reivindicações originais do movimento.

Toda essa movimentação ocorreu sob forte vigilância policial, apenas duas semanas após distúrbios generalizados e atos de vandalismo provocarem a destruição de estabelecimentos comerciais, edifícios governamentais e empresas em várias localidades francesas. A tensão não se restringiu ao território francês: protestos de jovens ocorreram em outras nações europeias, a exemplo da Alemanha, onde a polícia recorreu a canhões de água para dispersar a multidão.

Crise nas contas públicas e cenário eleitoral

O desequilíbrio financeiro do Estado está no epicentro da crise. A dívida pública francesa alcançou 119,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, conforme dados divulgados pelo Eurostat, o serviço estatístico da União Europeia. O déficit fiscal encerrou 2025 em 5,1% do PIB, superando o patamar máximo de 3% estipulado pelas normas fiscais do bloco. O cenário levou a agência Fitch a alterar a perspectiva da nota de crédito soberana de estável para negativa, ao passo que estatísticas reveladas na última sexta-feira (30) confirmaram a entrada da França em recessão técnica no terceiro trimestre.

Pressionado a enxugar despesas estatais, o presidente Emmanuel Macron tenta encontrar margem para atender às demandas da população e viabilizar um sucessor para o Palácio do Elysée. Com o pleito presidencial agendado para abril de 2027, o cenário político mostra avanço na popularidade do esquerdista radical Jean-Luc Mélenchon, enquanto a líder de extrema-direita Marine Le Pen lidera as intenções de voto nas pesquisas.

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