Inspiradas no sucesso da campanha brasileira, lideranças políticas progressistas no exterior passaram a adotar estratégias de mobilização digital que replicam o modelo do canal de WhatsApp comandado pelo deputado federal eleito André Janones (Rede-MG). A iniciativa ganhou força após a virada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Novos grupos políticos pelo mundo
Atualmente, três iniciativas internacionais somam mais de 270 mil seguidores em plataformas de mensagens. Entre elas estão o Ejército del Peronismo, na Argentina, L’équipe de Mélenchon officielle, na França, e La Fuerza de la Gente, na Espanha. O formato operacional segue a mesma lógica aplicada no Brasil, disparando comunicados, tarefas diárias e materiais prontos para engajamento e compartilhamento nas redes sociais.
Atuação internacional e campanhas
As redes estrangeiras já começaram a coordenar ações práticas de propaganda. Na Argentina, o canal voltado ao apoio ao peronismo e oposição a Javier Milei divulgou um vídeo sobre a proibição de casas de aposta no Brasil acompanhado da instrução: “publiquemos com tudo este vídeo nas redes sociais com a hashtag #mileiaprendacomlula”. Na França, o perfil associado a Jean-Luc Mélenchon disparou ordens diretas à militância, exigindo que os apoiadores fizessem o mesmo com postagens do líder partidário: “compartilhem em massa!” e “é preciso o máximo de comentários nesta publicação!”
Crescimento expressivo na França
O impacto da estratégia pôde ser medido pelo salto no número de inscritos. O canal francês registrava apenas 30 mil seguidores no início da tarde de uma terça-feira (27) e saltou para mais de 160 mil após a adesão de novos membros, motivando inclusive um pronunciamento em vídeo do chefe de comunicação do partido LFI (França Insubmissa), Antoine Léaument, direcionado especificamente aos brasileiros integrados ao grupo.
A proliferação dessas ferramentas de comunicação ocorre justamente em cenários de forte instabilidade política e proximidade de pleitos decisivos. Na Espanha, o premiê Pedro Sánchez antecipou o pleito para 29 de novembro devido a reveses legislativos e uma crise de habitação. Os franceses se preparam para o primeiro turno presidencial em 18 de abril e o segundo em 2 de maio de 2027, em meio a protestos contra o custo de vida. Já na Argentina, o calendário eleitoral estabelece a votação para o próximo mês de outubro.






