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Idosa morre minutos após receber alta em UPA de Sete Lagoas e família denuncia descaso

Idosa atendida em UPA de Sete Lagoas morreu momentos após receber alta, diz família

A morte de Terezinha Nunes Fonseca da Silva, de 71 anos, ocorrida logo após deixar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sete Lagoas, está sendo rigorosamente apurada pela administração municipal. Os familiares da idosa apontam falhas graves e negligência no protocolo assistencial, o que levou ao afastamento preventivo de um médico enquanto os fatos são investigados pelas autoridades locais.

Entrada na UPA e dores intensas

Conforme o relato de Adriano Nunes da Silva, filho da paciente, a idosa deu entrada na unidade de saúde às 12h30 de uma terça-feira, apresentando dores agudas nas costas e nas pernas. Após a realização de exames, o médico plantonista alegou que os resultados estavam normais e liberou a paciente, decisão que foi contestada pela filha que a acompanhava.

“Minha irmã se recusou a trazer ela pra casa e informou ao médico a situação dela. Então, o médico retirou a alta”, contou.

Agravamento do quadro e transferência

Com a reversão da alta, Terezinha foi transferida para a sala vermelha — área destinada a emergências — após relatar dores intensas no peito que irradiavam para o braço e as costas. Durante o período de atendimento no setor crítico, houve uma troca de turnos, e o familiar relata ter sido retirado do local após questionar o novo profissional sobre a assistência prestada.

“No momento que ela começou a sentir essa essa grande dor no peito, que se estendia para o braço e pelas costas, minha irmã gritava desesperadamente, procurando os médicos, por pedido de ajuda”, disse.

Horas mais tarde, a idosa passou por nova avaliação com uma médica, recebendo o diagnóstico de anemia e infecção urinária, antes de ser liberada definitivamente durante a madrugada da quarta-feira.

O óbito em casa e a revolta da família

O trajeto de carro entre a UPA e a residência durou cerca de cinco minutos. Segundo o filho, instantes após chegarem em casa, a situação se agravou de forma irreversível e a paciente faleceu no quarto.

“Ela deitou e simplesmente suspirou pela última vez. Nesse momento, eu já percebi que ela não tinha pulsação e que ela não respirava mais”, falou.

“Estamos muito tristes. Primeiramente por ter pedido a nossa mãe, o nosso chão. E depois ficamos muito chateados devido ao descuido, ao descaso que nós tivemos de toda a parte médica da UPA. […] Nós brigamos o tempo inteiro, imploramos, pedimos ajuda, fizemos de tudo para que minha mãe tivesse sido atendida de uma forma respeitosa”, lamentou.

“A única coisa que eu espero é que seja feita a justiça, porque a minha mãe não pode voltar mais”, declarou Adriano.

Posicionamento da prefeitura e investigações

O secretário de Saúde de Sete Lagoas, Jean Barrado, informou que o caso passou a ser investigado pelo comitê de ética e pelo comitê de investigação de óbitos do município logo após o alerta enviado pelo Samu. A administração municipal confirmou o afastamento do médico envolvido no primeiro atendimento e apura também a atuação de um segundo profissional.

“Toda a equipe envolvida no atendimento dela será escutada, como já está acontecendo até então, esses profissionais serão ouvidos, bem como a família, durante todo o percurso dela dentro da UPA. A Secretaria de Saúde lamenta muito o ocorrido. A prefeitura já se colocou à disposição também da família para quaisquer necessidades”, afirmou o secretário.

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