O mercado financeiro brasileiro enfrentou uma sessão de intensa volatilidade nesta 4ª feira (28.out.2026), marcada por forte desvalorização na Bolsa de valores e disparidade nas taxas de juros futuros. O Ibovespa, principal indicador da B3, sofreu uma retração de 2,71%, encerrando o dia aos 170.946,55 pontos e acumulando o terceiro pregão consecutivo no vermelho, o que representa o menor patamar de fechamento desde o mês de agosto.
Incertezas políticas e fiscais no radar
O cenário de instabilidade foi impulsionado primordialmente pelas dúvidas em torno da gestão fiscal e econômica do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que garantiu a reeleição no domingo (25.out). Os agentes econômicos monitoram de perto qualquer indicação sobre a formação da futura equipe econômica, com foco especial na definição do próximo titular do Ministério da Fazenda, além de diretrizes claras para o corte e contenção de gastos públicos. Entre os nomes especulados nos bastidores estão Rafael Fonteles (PT) e Geraldo Alckmin (PSB).
Outro elemento que entrou no radar dos investidores foi a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos logo após o revés nas urnas. O fato coincidiu com o momento de remobilização da bancada oposicionista pós-pleito, inserindo um componente extra de volatilidade no ambiente político nacional.
Desempenho da renda fixa e mercado de juros
No segmento de renda fixa, o movimento foi de forte pressão vendedora e exigência de prêmios maiores. A taxa de juros de 10 anos registrou avanço de 13 pontos-base (bps), atingindo 15,04%. Paralelamente, a NTN-B de longo prazo subiu 5 bps, alcançando um rendimento equivalente a IPCA + 7,41%. A NTN-B consiste em um papel da dívida pública cuja rentabilidade atrela a variação do IPCA a uma taxa fixa estabelecida no momento da aplicação, sendo que a alta das taxas de mercado costuma deprimir o preço dos ativos já negociados.
O comportamento da curva de juros reflete a necessidade de uma compensação mais robusta por parte de quem investe em ativos de longo prazo. Simultaneamente, as apostas para a política monetária indicam que o Copom deve manter a taxa Selic inalterada na próxima reunião, cenário precificado em cerca de 70% pelo mercado de opções, enquanto a probabilidade de um ajuste de alta em dezembro é estimada em aproximadamente 25%.
Cenário internacional e câmbio
No exterior, os investidores assimilaram a decisão do Federal Reserve, o banco central norte-americano, que optou por manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no patamar entre 3,75% e 4,00% ao ano, movimento que já era amplamente antecipado pelos analistas.
Apesar do clima desfavorável na Bolsa, pressionada sobretudo pelas perdas acentuadas das ações dos grandes bancos devido ao peso expressivo que possuem no índice, o dólar comercial seguiu em direção oposta. A moeda norte-americana recuou 0,19%, cotada a R$ 5,3402, configurando um movimento de apreciação do real frente ao câmbio estrangeiro.






