O dólar à vista fechou em leve baixa, cotado a R$ 5,3402, registrando um recuo de 0,19% após oscilar durante o pregão desta quarta-feira (28). A moeda americana havia se aproximado de R$ 5,40 no início da tarde, impulsionada por boatos fiscais, mas perdeu força na reta final dos negócios em sintonia com o comportamento global da divisa.
Repercussão internacional e falas do Fed O movimento de baixa foi influenciado diretamente pelo recuo das taxas dos Treasuries curtos e do dólar no exterior. A virada ocorreu após declarações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, sobre a existência de um “consenso esmagador” de que as medidas monetárias estão começando a surtir efeito.
O dirigente destacou que o avanço econômico dos EUA não tem gerado uma escalada inflacionária. Mesmo com a manutenção da taxa básica de juros e dois votos dissidentes por uma alta de 0,25 ponto porcentual, o chairman afirmou que as próximas semanas trarão clareza sobre as variáveis econômicas e revelou mudanças no calendário de 2027, incluindo uma reunião exclusiva para estratégias.
Visão dos analistas internacionais Para o economista sênior Christoph Balz, do alemão Commerzbank, Warsh não deu uma explicação “clara” para a decisão do Fed de manter a taxa de juros, apesar do crescimento forte e da inflação alta. “O argumento de que é preciso obter mais informações antes do próximo encontro não é muito convincente”, afirma Balz. “Continuamos a esperar que os próximos dados mostrem pressão inflacionária persistente e antecipamos alta dos juros em dezembro.”
Pressões locais e rumores sobre o IOF No cenário doméstico, a cotação chegou a bater a máxima de R$ 5,3992 antes de ceder, acumulando alta de 6,95% na semana e 3,19% no mês, impulsionada pela reação ao resultado da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A volatilidade do início da tarde ocorreu após notícias sobre um possível estudo da equipe econômica para taxar LCIs e LCAs com o Imposto sobre Operações Financeiras.
Contudo, apurações indicaram que a cobrança de IOF nesses ativos estaria fora do radar oficial, ajudando na recuperação do real. Operadores também monitoraram receios de atritos diplomáticos após o parlamentar Flávio Bolsonaro buscar abrigo nos Estados Unidos.
“Os sinais de tributação potencial desses títulos são ruins, apontando ajuste fiscal pela alta da receita em vez de corte de gastos”, afirma o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, acrescentando que o temor de novas sanções americanas contribui para uma postura mais defensiva dos agentes.
Perspectivas para o câmbio brasileiro Mesmo com a cautela recente, analistas avaliam que o cenário não aponta para uma desvalorização contínua da moeda brasileira. O estrategista do Société Générale para a América Latina, Brendan McKenna, encerrou posições apostando contra o real, mas mantém cautela no curto prazo.
“Juros reais elevados e reservas cambiais adequadas também podem atuar como catalisadores para a recuperação da moeda”, afirma McKenna, ponderando que um Congresso de perfil mais conservador pode frear investidas de expansão fiscal.






