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Investigação em Goiás mira mensagens de ódio e listas de boicote após as eleições

Influenciadores, vice-presidente da OAB-GO, empresários e mais: posts nas redes têm de incentivo ao boicote a eleitores de Lula a apologia ao nazismo em Goiás

Investigações conduzidas por autoridades goianas buscam esclarecer a onda de postagens com discursos de ódio, listas de exclusão comercial e apologia ao crime que tomaram conta das plataformas digitais após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Envolvimento de figuras públicas e o posicionamento da OAB

Entre os episódios que geraram maior repercussão está a manifestação pública do vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), Thales José Jayme, direcionada a apoiadores do governo que participavam de um ato na Praça Universitária, na capital do estado.

“Se colocar tudo no saco e jogar no rio, o prejuízo é a perda do saco”, escreveu o advogado.

Em nota oficial, a instituição ressaltou que manifestações individuais de diretores ou colaboradores não refletem a visão oficial da entidade de classe.

“A OAB-GO é contrária a toda e quanto forma de intolerância e hostilidade, venha de onde vier. A defesa do Estado Democrático de Direito passa pelo respeito à escolha popular e pela convivência civilizada entre quem pensa diferente”, destacou.

Apologia ao nazismo e listas de restrição comercial

No município de Orizona, situado na região sudeste do estado, um comentário publicado em um aplicativo de mensagens por uma apoiadora do candidato Flávio Bolsonaro (PL) passou a ser investigado por apologia ao crime.

“Eu tô com tanto nojo de petista que se eu pudesse colocar dentro de um galpão e fazer igual Hitler, eu fazia. Já está passando da hora”, escreveu a eleitora.

Paralelamente, catálogos virtuais de exclusão econômica começaram a circular em diferentes municípios. Em Goiânia, a influenciadora Mayra Bitter compartilhou um documento enumerando estabelecimentos comerciais associados à esquerda. Posteriormente, a criadora de conteúdo removeu a publicação por conta própria. Dinâmica semelhante ocorreu em Anicuns, onde dezenas de comerciantes sofreram tentativas de restrição econômica.

Recusa de atendimento e justificativas jurídicas

Em Nerópolis, na Região Metropolitana, proprietários de uma lanchonete declararam publicamente que barrariam consumidores ligados ao atual governo.

“Quem quiser vir, é só Bolsonaro. É Lula, quer vir? Vai escutar. Se é Lula e não quer vir, vai ficar sem comer. Procura outro canto”, disse o empresário Carlos Henrique Bento em um dos vídeos.

Em comunicado oficial, o estabelecimento Flash Smash defendeu sua conduta e rebateu as críticas recebidas.

“Seu posicionamento político permanece absolutamente inalterado. Não recuaremos de nossas convicções, tampouco consideramos que o exercício legítimo da liberdade de expressão exija qualquer retratação”, pontuou a empresa.

O texto da nota acrescenta ainda que “o vídeo que ganhou repercussão nas redes sociais foi divulgado sob uma interpretação completamente enviesada, desconsiderando o contexto original das declarações, que se referiam à reprodução de uma playlist de músicas políticas no estabelecimento, e não a qualquer intenção de constranger ou discriminar consumidores”.

Análise sociológica sobre a polarização

Para o cientista político Francisco Tavares, o cenário reflete a dificuldade coletiva em lidar com o descontentamento e com a derrota em disputas democráticas.

“Isso é um marco do nosso tempo e talvez seja o momento da sociedade brasileira se colocar no espelho e perguntar como estão educando as nossas crianças, como estamos lidando com frustrações, como estamos nos preparando, não apenas política, mas psicologicamente para convivermos com a diferença e com a própria diversidade em processos eleitorais”, afirmou.

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