O senador Flávio Bolsonaro (PL) conseguiu entrar nos Estados Unidos utilizando um passaporte diplomático que estava cancelado. O político desembarcou em um aeroporto de Miami acompanhado da esposa e das filhas, após uma operação de saída do território brasileiro que mobilizou autoridades internacionais e ignorou determinações judiciais do Supremo Tribunal Federal.
A rota da fuga pela América do Sul
A saída do senador ocorreu de forma sigilosa após a derrota no segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do parlamentar. Descumprindo uma ordem do ministro Alexandre de Moraes para entregar seus documentos de viagem à Polícia Federal, Flávio deixou o país por via terrestre.
Na noite de terça-feira, o grupo cruzou a fronteira para a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves. De lá, embarcaram em um jato particular no aeroporto de Puerto Iguazú. A aeronave realizou uma escala técnica em Guayaquil, no Equador, sobrevoando o Paraguai, a Bolívia e o Peru para evitar o espaço aéreo brasileiro, antes de aterrissar no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami.
Investigações e ordem do STF
A viagem ocorreu à revelia de decisões da Suprema Corte. O ministro Alexandre de Moraes havia determinado a retenção dos passaportes do senador no âmbito de um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e o advogado Willer Tomaz. Tanto Flávio quanto seu representante legal negam irregularidades e sustentam que não são sócios.
Além disso, a Polícia Federal havia apontado riscos concretos de fuga, embasada pelo poder econômico do político e por declarações públicas de seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que havia sugerido a saída do país em caso de derrota eleitoral.
Pronunciamento oficial anterior
Antes de deixar o território nacional, o parlamentar utilizou as redes sociais para criticar as medidas cautelares impostas pela Justiça brasileira.
“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai. Como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E, quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, relatou o senador, no vídeo.
“A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo, de 23/10, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?”, prosseguiu.
Por fim, o parlamentar reforçou que pretende manter sua atuação política. “Não vamos permitir que isso aconteça. Não vão me calar. Não vão me intimidar. Bora levantar a cabeça e continuar lutando pelo nosso Brasil. Aconteça o que acontecer, não vamos desistir do nosso Brasil.”






