As autoridades gaúchas registraram um salto expressivo na entrada clandestina de tratamentos farmacológicos para perda de peso. A quantidade de canetas emagrecedoras trazidas sem autorização para o Rio Grande do Sul e interceptadas pela Receita Federal cresceu 26 vezes neste ano, se comparado a todo o período anterior.
Estratégias de ocultação nas fronteiras O volume apreendido nos primeiros nove meses superou a marca de 3 mil unidades no estado gaúcho, alcançando uma estimativa financeira de R$ 1,2 milhão. Os itens clandestinos ingressam em território brasileiro por meio de rotas variadas, sendo ocultados em automóveis, despachados em coletivos rodoviários ou despachados através do serviço postal. Frequentemente, as mercadorias recebem falsas declarações alfandegárias para burlar a vigilância.
“A gente faz um trabalho bem extenso de verificação de todas as cargas que circulam aqui no Rio Grande do Sul. E quase todo dia estamos topando com esse tipo de produto e fazendo apreensões”, afirma o chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal no RS, Eduardo Mielke.
Riscos de conservação e armazenamento inadequado Durante uma operação recente nos Correios, os agentes fiscais identificaram embalagens que tentavam simular refrigeração com bolsas térmicas. Contudo, conforme apontado pelo auditor, não existia segurança de que a temperatura ideal exigida pelo fármaco foi preservada ao longo do transporte.
Perigos para a integridade física e o organismo A ausência de chancela dos órgãos reguladores oficiais coloca em xeque a qualidade e a segurança dessas substâncias comercializadas à margem da lei. Especialistas alertam que o consumo sem controle traz perigos severos ao corpo humano.
Para o endocrinologista Fernando Gerchman, do Hospital Moinhos de Vento, o uso dessas substâncias representa um risco significativo porque, segundo ele, não há como assegurar a pureza nem a composição do medicamento.
“A gente não sabe o que tem de impureza. Pode ser um minério, pode ser um agente microbiológico, que pode gerar uma infecção, pode causar uma reação autoimune, inflamatória no corpo, gerando uma doença muito grave, que pode se perpetuar e ser irreversível ou até levar à fatalidade”, explica.
Orientações de segurança médica Profissionais da saúde reforçam que a obtenção de tais produtos deve ocorrer exclusivamente em estabelecimentos farmacêuticos devidamente licenciados. Diante do cenário, o caso ultrapassa a questão fiscal e se transforma em um desafio coletivo.
“Acho que para a sociedade, acaba deixando de ser um problema tributário e vira um problema de saúde pública”, diz o auditor fiscal Mielke.






