O senador Otto Alencar (PSD-BA), apontado como aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou-se favorável ao andamento de uma proposta de anistia voltada aos condenados pelos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023. A medida, caso seja aprovada, poderá abranger o ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu condenação de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e atualmente cumpre prisão domiciliar.
H2: Diálogo institucional e comando da CCJ
Como futuro presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o parlamentar baiano admitiu ter mantido tratativas sobre o assunto com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). A movimentação política ganhou força nos bastidores após o senador Flávio Bolsonaro deixar o território nacional.
Apesar de a proposta beneficiar diretamente o antigo chefe do Executivo federal, o dirigente da CCJ argumentou que o foco principal não recai sobre uma única pessoa.
“Não é uma anistia à figura de Jair Bolsonaro, e sim a todos aqueles que estão respondendo a processos desde o dia 8 de janeiro (de 2023)”, minimizou Otto.
“São pessoas que tiveram penas que, segundo os seus defensores, estão bem acima do que se esperava. Não é só o Jair Bolsonaro”, acrescentou.
H3: Estratégias para a eleição no Senado
As conversas sobre o perdão judicial ocorrem em meio à disputa pela recondução de Davi Alcolumbre ao comando do Legislativo. Para garantir a vitória, o atual dirigente precisa assegurar pelo menos 41 sufrágios em um cenário político considerado majoritariamente alinhado à direita. A bancada do PL, por exemplo, contará com 28 senadores a partir de 2027, somando forças com legendas como o Novo e parlamentares de perfil bolsonarista.
Enquanto isso, a oposição articula candidatura própria por meio do senador Rogério Marinho (PL-RN). Em resposta, interlocutores indicam que Alcolumbre busca diálogo amplo com diferentes correntes partidárias, pregando a moderação.
“A política conversa. Ele é presidente do Congresso , mas não tem um fato ainda”, diz uma pessoa do entorno de Alcolumbre.
H2: Caminhos jurídicos e políticos para a pacificação
Diferentes alternativas estão sobre a mesa para solucionar o impasse, incluindo a tramitação de um projeto legislativo de anistia sujeito à sanção presidencial, a concessão de indulto pelo Poder Executivo ou até mesmo uma revisão de sentenças por vias judiciais. Otto Alencar ressaltou a importância de resgatar o tom moderado adotado pelo Palácio do Planalto após o pleito.
“O grande esforço é que se possa agora ter um entendimento para a pacificação nacional. Está na hora daqueles que têm responsabilidade buscarem reduzir a beligerância. E a maioria dos senadores pensa como eu penso.”
Segundo o senador baiano, a definição sobre o momento adequado para colocar a matéria em votação caberá à liderança de Alcolumbre. Contudo, aliados alertam que a saída de Flávio Bolsonaro do país pode adicionar complexidade ao processo de pacificação institucional.






