Com mais de cinco décadas de atuação na vida pública, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) construiu uma das trajetórias políticas mais marcantes do Brasil republicano. Ao todo, o líder partidário esteve nas urnas em sete disputas presidenciais, acumulando uma sequência de reveses iniciais até consolidar triunfos expressivos e alcançar feitos inéditos no Executivo federal.
Três derrotas seguidas na consolidação democrática
A estreia de Lula na disputa pelo comando do país ocorreu no pleito histórico de 1989, o primeiro com voto direto para presidente após o regime militar. Entre 22 concorrentes, o petista avançou ao segundo turno com 17,18% dos sufrágios válidos, passando a enfrentar Fernando Collor (PRN), que liderara a etapa inicial com 30,48% se apresentando como um “caçador de marajás” anticorrupção. Na votação decisiva, Collor saiu vencedor com 53,03% (35.090.206 votos), superando os 46,97% (31.075.803 votos) atribuídos ao sindicalista, uma diferença ligeiramente superior a 4 milhões de votos.
Nos anos seguintes, o adversário a ser batido foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Antigos aliados nas mobilizações pelas Diretas Já e no movimento sindical dos anos 1970, ambos protagonizaram as eleições de 1994 e 1998. Na primeira, embalado pelo Plano Real, o tucano liquidou a fatura no primeiro turno com 54,28% (34.350.217 votos), enquanto Lula registrou 27,04% (17.112.255 votos).
O cenário se repetiu no pleito subsequente, na primeira corrida com reeleição no Brasil. FHC venceu novamente sem necessidade de segundo turno, anotando 53,06% (35.936.382 votos). Embora tenha acumulado seu terceiro revés consecutivo, Lula ampliou sua base em 4.362.956 eleitores, terminando com 31,71% (21.475.211 votos).
A chegada ao Planalto e o caminho da reeleição
O primeiro triunfo nacional do Partido dos Trabalhadores veio em 2002. Lula avançou na liderança do primeiro turno com 46,44% dos votos (39.455.233), enfrentando José Serra (PSDB), que teve 23,20% (19.705.445). No segundo turno, o petista conquistou a presidência com 61,27% da preferência (52.793.364 votos), derrotando o tucano, que obteve 38,73% (33.370.739 votos).
Na busca pelo segundo mandato consecutivo, em 2006, o adversário da vez foi Geraldo Alckmin (PSDB). Lula alcançou 48,61% (46.662.365 votos) no primeiro turno e confirmou a permanência no cargo na segunda etapa, ao atingir 60,83% (58.295.042 votos) contra 39,17% (37.543.178 votos) de Alckmin — margem superior a 20,7 milhões de sufrágios. O mandatário concluiu o período presidencial em 2010 com aprovação recorde de 80%, elegendo sua sucessora, Dilma Rousseff.
O retorno em 2022 e a inédita virada de 2026
Depois de ficar ausente das urnas federais por 12 anos — intervalo marcado pela superação de um câncer, o falecimento de sua companheira Marisa Letícia e o período de prisão decorrente da Operação Lava-Jato, posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal —, o ex-presidente retornou à disputa em 2022. Ao lado de Geraldo Alckmin, agora seu vice em uma aliança construída como “frente ampla democrática”, ele encarou o incumbente Jair Bolsonaro (PL).
Lula pontuou 48,43% no primeiro turno e venceu a rodada final por 50,90% (57.259.504 votos) contra 49,10% (51.072.345 votos) de Bolsonaro. Separados por cerca de 2,1 milhões de votos, os candidatos protagonizaram o desfecho mais equilibrado de uma eleição presidencial no Brasil.
Já em 2026, a consagração veio com um recorde inédito. Lula encerrou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), marcando 45,16% contra 47,03% do senador. Na segunda fase, o petista conseguiu virar o placar ao conquistar mais 10,3 milhões de eleitores, fechando a apuração com 51,79% (64.256.232 votos), enquanto o adversário agregou 3,7 milhões e fechou com 48,21% (59.826.041 votos). O feito fez de Lula o único líder a vencer quatro eleições presidenciais no país e o primeiro a virar um resultado desfavorável no segundo turno na história da redemocratização.






