O senador Flávio Bolsonaro (PL), sua esposa Fernanda Bolsonaro e as duas filhas do casal receberão vistos do governo dos Estados Unidos para permitir a entrada da família no país norte-americano. O parlamentar desembarcou em solo americano nesta terça-feira (27), após deixar o Brasil de forma inesperada.
“Os Estados Unidos emitirão vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirão sua entrada nos Estados Unidos”, afirmou a alta autoridade do Departamento de Estado à AFP.
A viagem ocorreu em meio a um cenário de forte tensão política, dois dias após o senador ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Lula venceu o pleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma diferença de cerca de 4,43 milhões de votos.
Ordem de entrega de passaportes e investigações no STF
A partida do parlamentar aconteceu logo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes comum e diplomático. A decisão judicial também proibia o senador de deixar o país e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado em um inquérito que tramita na corte máxima.
O prazo estipulado para a entrega dos documentos terminou às 11h da terça-feira sem que a ordem fosse cumprida. Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (26), o senador criticou a medida imposta por Moraes, classificando a determinação como uma tentativa de intimidação, e prometeu cumprir a ordem.
“Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.
Apesar da fala no vídeo, na qual também assegurou que não pretendia sair do território brasileiro, a movimentação para deixar o país se confirmou. As investigações contra Flávio envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro associadas ao advogado Willer Tomaz e apurações sobre o financiamento do filme biográfico “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador e os citados negam irregularidades.
Bastidores e surpresa entre aliados políticos
Antes da viagem, a possibilidade de deixar o Brasil havia sido debatida com um grupo bastante restrito. Nos bastidores, aliados chegaram a apontar a Argentina como rota alternativa, com a hipótese de travessia pela fronteira terrestre rumo à província de Misiones para embarcar em um voo particular. O governo argentino, contudo, negou registro de entrada ou plano de voo envolvendo a família.
A ausência repentina gerou intensa busca por informações entre integrantes da campanha e parlamentares do PL, que relataram dificuldades para estabelecer contato com Flávio. A recomendação para buscar refúgio nos Estados Unidos — onde vive seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro — já havia sido sugerida por alas do partido e pelo próprio Eduardo em participações públicas recentes.
A saída do Brasil adiciona um novo e complexo capítulo à crise política nacional, enquanto o grupo político do senador avalia os impactos de sua partida e a repercussão das medidas judiciais em curso.






