As novas metas climáticas apresentadas por diversos países apontam para uma redução de apenas 6% nas emissões globais de gases de efeito estufa até 2035. O patamar representa um corte dez vezes menor do que o exigido para manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C, conforme alerta divulgado pela Organização das Nações Unidas.
O impacto das novas NDCs frente ao Acordo de Paris
A avaliação foi publicada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e considera 127 novas metas nacionais, conhecidas como NDCs, apresentadas entre janeiro de 2024 e agosto de 2026. Os dados envolvem 154 partes do Acordo de Paris, incluindo a União Europeia, que respondem por cerca de 71% das emissões globais registradas em 2019, sem contabilizar o desmatamento e o uso da terra.
Mesmo com a execução integral de todos os compromissos previstos, o volume anual de gases poluentes em 2035 deve oscilar entre 49,6 bilhões e 55,9 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente. Caso o cenário inclua o apoio internacional, a queda máxima projetada chega a 9%, enquanto a ausência de medidas adicionais limitaria a retração a 3%.
Projeções de temperatura e o orçamento de carbono
De acordo com as estimativas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), conter o aumento da temperatura em 1,5°C exigiria um corte próximo de 60% nas emissões no mesmo período. Com os patamares atuais, o aquecimento do planeta pode alcançar até 3,2°C até o final do século, ou situar-se entre 1,7°C e 2,3°C caso as metas de longo prazo para zerar as emissões líquidas sejam integralmente cumpridas.
O documento aponta ainda que o orçamento de carbono compatível com a meta de 1,5°C, estimado em cerca de 130 bilhões de toneladas de CO₂ a partir do início de 2026, pode ser totalmente esgotado antes de 2030. A projeção indica que os países emitirão cerca de 368 bilhões de toneladas de CO₂ entre 2026 e 2035, quase o triplo do limite seguro.
Avanços setoriais e desafios no financiamento
Apesar do cenário distante dos objetivos ideais, a ONU identificou que 90% dos participantes consideraram o primeiro balanço global da COP28 na elaboração de suas metas. Houve ampliação de medidas voltadas à transição energética, modernização de redes elétricas, adoção de compromissos com o metano e preservação de florestas.
Por outro lado, o financiamento climático continua encontrando barreiras. Embora os investimentos globais tenham atingido média de US$ 1,9 trilhão por ano em 2023 e 2024, apenas 9% foram direcionados a transferências internacionais para países em desenvolvimento, enquanto os recursos voltados à adaptação recuaram para US$ 63 bilhões anuais, gargalos que devem dominar as negociações na COP31, em Antália, na Turquia.






