Um registro audiovisual que circula amplamente nas redes sociais gerou forte repercussão ao exibir um homem sobre um trator sendo atingido por jatos de água. A gravação ocorreu no último sábado (24), véspera da votação do segundo turno, em Muzambinho, no Sul de Minas Gerais, durante uma carreata de apoiadores de Flávio Bolsonaro. Na legenda da publicação, o episódio foi associado ao PT, e uma pessoa mencionou na voz em off que o homem “vai ficar amarrado até segunda-feira”.
Declarações e ameaças no registro
Na gravação, a pessoa que comanda as imagens faz ameaças explícitas sobre a situação do indivíduo encontrado no local do evento político.
“Olha aí ó. Já peguei um e amarrei, tá ali amarrado, vai ficar até segunda-feira amarrado. Deixei um litro de água ali perto dele, se der conta de pegar e beber, beleza, senão não tem nada também não. Bora cada um amarrar um, se cada um amarrar e deixar no mato escondido aí, já é menos um voto aí, tá amarrado, não vou soltar mais não. Só segunda-feira depois de meio dia”, diz o homem no vídeo.
Controvérsia e repercussão nas redes sociais
Apesar de a legenda mencionar o partido adversário, os organizadores e participantes do ato político negaram qualquer motivação partidária, classificando o ocorrido como uma mera brincadeira. Em contrapartida, internautas repudiaram duramente a cena, rotulando o episódio como um ato de humilhação e até mesmo de tortura. Relatos apontam que a vítima seria uma pessoa em situação de vulnerabilidade com histórico de alcoolismo e que teria feito o gesto da letra “L”, símbolo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Procuradas pela reportagem, a Polícia Militar e a Polícia Civil informaram que nenhum boletim de ocorrência foi registrado sobre o caso. O vereador Daniel Ferraz (PODE), parente do homem filmado, declarou ter tomado conhecimento do material apenas pela internet e pontuou que não pretende adotar medidas legais, destacando que a vítima parecia sorrir nas imagens. Outros familiares consultados pela EPTV optaram por não se manifestar ou se envolver na polêmica.
Versão do dono do veículo
Charles Pioli, proprietário de dois tratores utilizados no ato, rejeitou a tese de que o homem estivesse preso. Segundo o empresário, os equipamentos haviam sido cedidos a participantes e ele não estava presente no momento da gravação. De acordo com a sua versão, o indivíduo apresentava sinais de embriaguez e subiu na carretinha acoplada por três oportunidades distintas, sendo advertido pelo condutor.
“Ele subiu atrás da carretinha que carregava uma moto atrás do trator. O operador do nosso trator parou e pediu para ele sair. Ele desceu, mas pouco depois subiu novamente. Isso aconteceu por três vezes”, relatou o proprietário.
Ainda segundo o dono dos veículos, o comboio prosseguiu em marcha lenta até cruzar com uma viatura da corporação militar. “O policial foi lá, chamou a atenção educadamente e pediu para que ele descesse e não voltasse mais. Depois disso, ele ficou monitorando a situação para que ele não retornasse ao trator. Em momento algum esse cara estava amarrado. A filmagem não mostra que ele estava amarrado”, afirmou.
Em relação ao jato d’água desferido contra o homem, o proprietário argumentou que a atitude integrou uma dinâmica festiva da carreata, sem alvo pré-determinado. “Esse rapaz estava jogando água em todo mundo. Tem outros vídeos dele fazendo isso. Ele jogava água nos outros tratores, jogava água para cima. Em um determinado momento, jogou água no rapaz. Não estou dizendo que foi certo, mas isso não aconteceu por ele estar bêbado, ser petista ou qualquer outra coisa”, concluiu.






