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Ebola no congo: enfermeiro é morto e equipes buscam proteção

Ebola: enfermeiro é morto no Congo e profissionais de saúde se refugiam sob proteção policial

Um enfermeiro veterano que atuava no combate ao vírus Ebola foi assassinado por jovens no leste da República Democrática do Congo. O homicídio ocorreu na última sexta-feira (23) na cidade de Bafwasende, situada na província de Tshopo, e deixou outros profissionais de saúde acuados e sob forte escolta policial.

Violência e desinformação na linha de frente

O profissional da saúde trabalhava no hospital geral do município orientando a população sobre como se proteger da doença. Com o avanço da hostilidade, colegas que escaparam da investida precisaram buscar refúgio na mesma unidade hospitalar, temendo retornar às suas residências.

Uma autoridade local relatou a situação de vulnerabilidade das equipes médicas na região afetada pelo surto: “Estamos chocados com a forma como a população se voltou contra esse enfermeiro. É impossível acreditar que ele tenha sido confundido com um estranho”

O mesmo representante do setor de saúde pontuou o clima de terror enfrentado pelos trabalhadores locais: “Nenhum dos enfermeiros tem dormido em casa porque temem pela própria segurança”

Para tentar conter a onda de violência, o exército chegou a ser mobilizado temporariamente para o município, enquanto um segundo profissional ferido se recupera em ambiente hospitalar.

Gravidade do surto na província

A província de Tshopo integra o grupo de oito localidades congolesas atingidas por uma rápida disseminação da cepa Bundibugyo do Ebola. Dados divulgados pelo instituto de saúde pública apontam um acumulado de 9.964 casos confirmados desde o início do surto em maio, acompanhados por uma taxa de letalidade próxima de 48,6%.

A escalada de agressões contra hospitais, veículos e equipes humanitárias evidencia a dificuldade histórica de estabelecer laços de confiança com os moradores locais. Antes mesmo do atual surto do vírus, a propagação de boatos infundados sobre a saúde pública já havia provocado mortes em Tshopo, motivadas por acusações falsas contra trabalhadores da área.

A repercussão internacional do caso mobilizou lideranças humanitárias diante da gravidade da perda para as operações de socorro médico na África central.

Julien Harneis, coordenador sênior das Nações Unidas para o Ebola, manifestou seu pesar sobre o ocorrido por meio das redes sociais: “O assassinato de um enfermeiro ontem em Bafwasende é uma perda para a resposta ao Ebola e uma perda ainda maior para os pacientes”

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