O mercado financeiro registra um dia de forte instabilidade na sessão desta segunda-feira, 26, após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Com o resultado das urnas, onde Lula obteve 51,79% dos votos válidos (64,2 milhões) contra 48,21% (59,8 milhões) de Flávio Bolsonaro, investidores reagiram com a disparada da moeda norte-americana e um forte tombo no índice acionário brasileiro.
Reação do dólar e o gatilho de segurança
O movimento de pânico teve início ainda na madrugada no mercado futuro da CME, em Chicago, onde o real registrou uma desvalorização de cerca de 10%. Por volta das 3h40, o contrato com vencimento em novembro de 2026 recuava 10,09%, enquanto o vencimento em dezembro caía 9,79%.
Já no mercado à vista brasileiro, por volta das 11h30, o dólar comercial disparava 9,85%, cotado a R$ 5,486. Mais cedo, a moeda chegou a saltar 12,25% e atingiu o nível máximo de trava de negociação da B3, sendo vendido a R$ 5,604. Na última sexta-feira, 24, a moeda norte-americana havia fechado cotada a R$ 4,993.
Tombo histórico do Ibovespa
O principal indicador da Bolsa de Valores do Brasil também foi duramente impactado pelo cenário político. Por volta das 11h30, o Ibovespa despencava 17,13%, atingindo 169.956,83 pontos.
Devido à forte volatilidade, a B3 acionou o circuit breaker, suspendendo as negociações por 30 minutos para conter o pânico e permitir que os investidores reavaliassem o cenário econômico. Na sexta-feira anterior, o índice havia encerrado a sessão em alta, aos 205 mil pontos.
Perdas em ativos internacionais e projeções
O reflexo da eleição também foi sentido fora do país. O EWZ, fundo de índice negociado em Nova York que reúne as maiores empresas brasileiras, tombava 18,29% no pregão noturno, cotado a US$ 34,80. Na Bolsa de Tóquio, o Next Funds Ibovespa Linked operava em baixa de 11,8%, negociado a 288 ienes.
Especialistas apontam que o Banco Central poderá realizar intervenções no mercado de câmbio ao longo do dia por meio da venda de dólares à vista para prover liquidez. A expectativa inicial dos agentes econômicos era de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro implementasse um programa rigoroso de ajuste fiscal, corte de despesas públicas e uma agenda de reformas liberais.






