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Intenção de consumo das famílias brasileiras recua 0,8% em outubro

Intenção de consumo das famílias cai 0,8% em outubro, diz CNC

O apetite dos brasileiros pelas compras voltou a diminuir no mês de outubro de 2026. Com um recuo de 0,8% na comparação com setembro, já considerando o ajuste sazonal, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) atingiu a marca de 103,6 pontos. O levantamento foi divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e aponta para o terceiro mês consecutivo de retração, alcançando o menor nível registrado pelo indicador desde janeiro.

Desempenho dos subíndices

De acordo com o estudo da entidade empresarial, todas as variáveis analisadas apresentaram queda no período. O destaque negativo ficou com o item Momento para Compra de Duráveis, que registrou uma baixa de 1,8% no mês — a mais intensa do atual ciclo de baixa e a terceira consecutiva —, embora ainda acumule alta de 14,0% em 12 meses.

Outro indicador que chamou a atenção foi o Nível de Consumo Atual, que caiu 1,3% no mês e chegou a 90,1 pontos, configurando o menor patamar desde dezembro de 2025 e completando quatro meses seguidos de retração. A Renda Atual também continuou em trajetória descendente, com recuo de 0,3% no mês, somando cinco meses consecutivos de queda. No campo do trabalho, a Perspectiva Profissional caiu 0,6% no mês e despencou 7,7% em 12 meses, registrando a maior retração anual entre todos os componentes, enquanto o Emprego Atual teve baixa mensal de 0,7%.

Mercado de trabalho e inflação

A pesquisa da CNC revelou ainda que apenas 48,0% dos consumidores mantêm uma percepção positiva sobre a trajetória profissional, o menor percentual observado desde setembro de 2022. Em contrapartida, 42,7% das famílias relataram sentir segurança no emprego.

No que tange aos preços, os bens duráveis acumularam uma inflação de 1,12% no acumulado de 12 meses até setembro, índice bastante inferior ao IPCA geral, que ficou em 4,58% no mesmo período. Apesar do resultado mensal negativo, o ICF geral ainda apresenta alta de 2,2% quando comparado a outubro de 2025.

Análise por faixa de renda

A retração mensal de 0,8% foi homogênea e atingiu igualmente as duas faixas de renda monitoradas pela pesquisa:

  • Famílias com renda de até 10 salários mínimos: fecharam outubro com ICF de 101,4 pontos. O indicador de compra de duráveis recuou 1,7% no mês. Na base anual, a Renda Atual subiu 1,9% (marcando o sexto resultado positivo consecutivo), e a Perspectiva de Consumo avançou 2,9%.
  • Famílias com renda superior a 10 salários mínimos: registraram ICF de 115,4 pontos. O segmento de duráveis teve queda de 2,0% no mês. Na comparação de 12 meses, a Renda Atual caiu 1,2% (terceira retração anual seguida), enquanto a Perspectiva de Consumo cresceu 5,4%.
  • Perspectiva de Consumo geral: embora tenha recuado em outubro segundo a CNC, manteve-se em patamares superiores aos registrados ao longo de 2025.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que a massa salarial e o emprego mantêm patamares elevados, mas que a renda do trabalhador está comprometida por passivos acumulados. Ele também citou incertezas internas e externas.

“Parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro”, declarou.

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