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Eduardo Bolsonaro divulga vídeo em inglês pedindo pressão internacional contra o resultado da eleição

Em vídeo em inglês, Eduardo Bolsonaro diz que eleição foi fraudada e pede pressão internacional

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) divulgou uma gravação em língua inglesa na qual alega, sem exibir evidências, que o pleito presidencial vencido por Lula (PT) foi fraudado, exigindo mobilização e pressão internacional para impedir o reconhecimento oficial do resultado.

A estratégia do ex-parlamentar No material divulgado, o político ecoa as teses levantadas anteriormente por seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), contestando a guinada de Lula na contagem entre o primeiro e o segundo turnos, além da decisão emitida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu o funcionamento da votação por mais duas horas.

O ex-deputado também utiliza dados de pesquisas e a soma de sufrágios de candidatos eliminados no primeiro turno para lançar dúvidas sobre o avanço petista na reta final, classificando o crescimento como estatisticamente improvável, embora não apresente indícios concretos.

“Esta é uma mensagem para vocês: não reconheçam estas eleições, porque ainda mais fatos estão surgindo agora”, diz Eduardo no vídeo.

Na sequência, ele pede o cancelamento da eleição e uma mobilização fora do país.

“Como Flávio disse, precisamos cancelar esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional. Precisamos que vocês compartilhem este vídeo”, afirma.

A contestação da derrota nas urnas A ofensiva virtual ocorre logo após Flávio Bolsonaro declarar publicamente que rejeita o resultado do pleito e sinalizar que sua equipe jurídica tentará invalidar o processo eleitoral.

O triunfo de Lula ocorreu no domingo (25), após uma reviravolta na apuração conduzida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No primeiro turno, Flávio havia liderado com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.

O senador derrotado classificou o desfecho como inaceitável e criticou duramente a extensão do horário de votação ordenada por Cristiano Zanin.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável”, afirmou Flávio. Segundo ele, Zanin teria mudado “a regra do jogo no meio do jogo”.

Curiosamente, a própria coligação de Flávio havia protocolado um pedido junto ao TSE no mesmo domingo, solicitando o prolongamento do horário de funcionamento das seções eleitorais em diversos estados brasileiros.

Garantias institucionais e segurança das urnas Em contrapartida às acusações, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, manifestou total confiança na integridade de todo o sistema de votação do país.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também chancelou a lisura do pleito. O chefe do órgão, Paulo Gonet Branco, ressaltou o papel fiscalizador do Ministério Público.

“A democracia se fortalece quando as regras são cumpridas e cada pessoa pode exercer seu direito de escolha de forma livre. O respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas e garante legitimidade à representação política”, afirmou Gonet.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), corroborou a posição institucional ao declarar que a vitória pertenceu à democracia e que o resultado é incontestável.

O histórico de ataques ao sistema eletrônico Dias antes do segundo turno, Eduardo Bolsonaro já havia criticado o sistema de votação brasileiro durante entrevista ao podcast estadunidense “Louder with Crowder”, conduzido por Steven Crowder.

Na ocasião, ele apontou falhas hipotéticas nas máquinas e sugeriu que o irmão deixasse o território nacional em caso de derrota.

“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, afirmou naquela entrevista.

O TSE reforça que o mecanismo eletrônico é empregado no país desde 1996 sem registros de fraudes validadas, sendo acompanhado pela emissão de boletins impressos em cada seção eleitoral que permitem a auditoria pública.

Situação jurídica e condenação no STF Residindo fora do Brasil desde 2025, Eduardo Bolsonaro perdeu o mandato na Câmara dos Deputados em dezembro daquele ano devido a faltas excessivas.

Em junho, a Primeira Turma do STF o sentenciou por unanimidade a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelo delito de coação no curso do processo, após investigações apontarem articulações nos Estados Unidos para interferir no julgamento de Jair Bolsonaro. Com a decisão transitada em julgado em outubro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a emissão do mandado de prisão e o cancelamento dos passaportes do ex-parlamentar.

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