Um levantamento baseado nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontou que 35.521 confirmações de voto para a presidência ocorreram após as 17h de Brasília no segundo turno das eleições, realizado em um domingo. A apuração final indicou que Lula obteve 64 milhões de votos em todo o território nacional, ao passo que Flávio Bolsonaro alcançou 59,6 milhões, consolidando uma margem de 4,4 milhões de votos de vantagem.
Análise dos registros e prorrogação do horário
A extensão do horário de votação ocorreu após uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o prazo inicial das 17h até as 19h. Posteriormente, o magistrado esclareceu que a medida era válida exclusivamente para as seções eleitorais que ainda mantinham as portas abertas no instante da ordem.
Ambos os grupos políticos haviam formalizado pedidos de dilação do tempo de votação. A coligação de Lula fundamentou o pleito em falhas no transporte público, como escassez de veículos e redução de frotas. Já a equipe de Flávio Bolsonaro solicitou a prorrogação em cidades de cinco estados atingidas por temporais e intempéries.
Detalhamento técnico das urnas eletrônicas
Para mensurar a participação após o horário previsto, técnicos analisaram os arquivos de log de 497.897 seções eleitorais. Do total monitorado, 456.074 foram classificadas como conciliadas e 41.823 continuavam pendentes de validação na base de dados avaliada.
Os registros indicam que, dos 35.521 votos confirmados após as 17h, 30.866 estavam em locais com transmissão marcada como totalizada, enquanto 4.655 pertençam a seções que ainda aguardavam validação oficial.
Contestação judicial e posicionamento do TSE
Diante do desfecho do pleito, o senador derrotado criticou severamente o andamento do processo e declarou que vai recorrer à Justiça.
“É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou o senador.
Em contrapartida, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, chancelou a vitória do petista e destacou a rigidez e a segurança dos sistemas eletrônicos adotados pela Justiça Eleitoral brasileira.
“Como a decisão foi proferida após as 17h, milhares de urnas no Brasil já estavam encerradas e a sua programação impede a reabertura. Tivemos que promover o bloqueio do recebimento dos Boletins de Urna a fim de assegurar absoluta segurança que as informações nele constantes não fossem de conhecimento nem do próprio TSE”, afirmou.






