O cenário político da Sérvia sofreu uma reviravolta histórica neste domingo (25) com a derrota do partido governista nas eleições legislativas antecipadas para uma coalizão liderada por jovens universitários. A derrocada foi publicamente admitida pelo principal líder político do país.
Reconhecimento da derrota
“A julgar por uma amostra estratificada, está claro que perdemos estas eleições”, disse Vucic a apoiadores na sede do Partido Progressista Sérvio (SNS), em Belgrado.
O pleito foi marcado por um comparecimento maciço da população às urnas, registrando o maior índice de participação em três décadas. Às 18h no horário local, duas horas antes do encerramento da votação, o índice de eleitores já alcançava 64,89%, conforme os dados oficiais repassados pelo diretor do Escritório Nacional de Estatística, Branko Josipovic.
Reação popular nas ruas
O anúncio dos primeiros resultados gerou clima de festa na capital sérvia entre os eleitores que apoiavam a mudança no comando do país governado pelo mesmo grupo desde 2012.
“Eu me sinto incrível. Sinto como se, finalmente, vivesse em um país livre”, disse à agência France Presse (AFP) a estudante Mila Martic.
A convocação do pleito antecipado ocorreu na sequência de quase dois anos de intensos atos públicos contra a gestão atual. As mobilizações populares ganharam força máxima após a tragédia ocorrida em 2024, quando o desabamento de uma marquise na estação ferroviária de Novi Sad causou a morte de 16 pessoas. A população responsabilizou a negligência estatal e os desvios de recursos pelo acidente.
Contexto político e manobras
O desastre ferroviário mobilizou a sociedade como não se via desde a queda do regime de Slobodan Milosevic, em 2000. Pressionado, o então presidente Aleksandar Vucic dissolveu o parlamento e renunciou ao cargo máximo do Executivo para tentar se viabilizar como primeiro-ministro na disputa.
Para barrar o projeto político tradicional, a juventude acadêmica estruturou uma chapa unificada sem uma figura central evidente, congregando ativistas civis com o propósito exclusivo de destituir o SNS.
Controvérsias e fiscalização
Enquanto a campanha se desenrolava, Vucic tentava convencer o eleitorado enfatizando sua habilidade diplomática de manter parcerias estratégicas simultâneas com potências ocidentais e orientais.
Por outro lado, a lisura do pleito foi contestada antes mesmo da abertura das urnas. Um bloco formado por 24 organizações não governamentais locais apontou a ausência de garantias mínimas para um pleito considerado legítimo e igualitário.
Para contrapor eventuais fraudes, os universitários mobilizaram uma ampla rede de fiscais voluntários, reforçando a atuação dos observadores internacionais durante todo o domingo de votação.






