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Prisão da Papuda recebe votos de Vorcaro e Stefanutto no segundo turno

Vorcaro e Stefanutto votam na Papuda; Bolsonaro não pode votar

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto exercem o direito ao voto na manhã deste domingo (25), em Brasília, durante o segundo turno das eleições 2026.

O local de votação no Complexo Penitenciário

O registro dos votos acontece no Centro de Detenção Provisória (CDP), situado no Complexo Penitenciário da Papuda. Como ambos estão detidos de forma provisória, eles mantêm a prerrogativa de participar do pleito, repetindo o procedimento que já haviam realizado no primeiro turno.

Vorcaro encontra-se sob custódia preventiva no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, espaço popularmente conhecido como Papudinha, cuja defesa protocolou um pedido de revogação da medida em setembro. Por sua vez, Stefanutto foi capturado em novembro de 2025 no escopo da Operação Sem Desconto, voltada para apurar fraudes e descontos indevidos em pensões e aposentadorias, tendo sido indiciado novamente pela Polícia Federal em agosto.

A situação de Jair Bolsonaro e os direitos políticos

Em contrapartida, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está impossibilitado de votar. A restrição decorre de uma condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de reclusão por cinco delitos associados à trama golpista, com início de cumprimento de pena em novembro de 2025 e transição para a prisão domiciliar em março.

A divergência jurídica fundamenta-se na Constituição, que determina a suspensão dos direitos políticos unicamente mediante sentença criminal definitiva. Desse modo, indivíduos sob custódia cautelar conservam a habilitação eleitoral por ainda não possuírem condenação transitada em julgado.

O caso do Careca do INSS e a logística

Outro personagem do sistema prisional que tentou exercer a cidadania foi Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de Careca do INSS e apontado pela Polícia Federal como peça central no esquema de cobranças irregulares em benefícios previdenciários. Segundo relatos de interlocutores, a defesa manifestou o interesse na votação deste domingo, mas foi advertida sobre possíveis impasses logísticos. Antunes está detido desde setembro de 2025.

Como funciona o voto nas prisões

A manutenção do sufrágio para detentos sem condenação irrecorrível encontra respaldo no artigo 15 da Carta Magna. Em abril, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que um dispositivo da chamada Lei Antifacção, que pretendia suspender tais direitos, não poderia ser aplicado no pleito de 2026 devido ao princípio da anualidade eleitoral.

Para viabilizar a participação, a Justiça Eleitoral e as forças de segurança realizam um planejamento que envolve a checagem cadastral, o remanejamento temporário dos títulos e a instalação de urnas nos complexos prisionais. No primeiro turno, o TSE contabilizou 12.817 detentos provisórios aptos a votar. Em comparação, o pleito presidencial de 2022 registrou 12.903 votantes nessa condição, enquanto as eleições municipais de 2024 somaram 6.322 transferências temporárias de domicílio eleitoral entre a população carcerária.

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