O Distrito Federal possui uma configuração política singular que concentra funções de estado e município em uma única estrutura administrativa, sem a presença de prefeituras ou câmaras de vereadores tradicionais.
A origem do cargo e os primeiros anos da capital
Desde a fundação da cidade em 1960, a gestão municipal era exercida por prefeitos escolhidos diretamente pelo Presidente da República com a chancela do Senado. O mineiro Israel Pinheiro, que comandava a Novacap, foi o primeiro a ocupar a função, estruturando as bases administrativas iniciais da região.
Para o historiador especialista em história regional Robson Eleutério, essa forma de escolha veio da necessidade de reforçar o papel de Brasília como centro de poder.
“Para dar continuidade às obras, era importante que Brasília se consolidasse na região que abrigaria a capital. Tinha um movimento ‘antimudancista’ também nessa época, que, mesmo com a inauguração da capital, era contra a transferência do Rio de Janeiro para Brasília”, explica.
O fim das prefeituras e a chegada dos governadores
O posto municipal deixou de existir em outubro de 1969, após a promulgação da Emenda Constitucional nº 1 durante o regime militar, período que também marcou a transição para a figura do governador no comando local.
O historiador Robson Eleutério aponta que a mudança para governador ocorreu com a necessidade de “dar uma certa aparência de que tinha a intenção de caminhar para o regime democrático”.
Wadjô da Costa Gomide encerrou a série de gestões municipais como o último prefeito, tendo conduzido obras marcantes como a edificação do Palácio do Buriti e a fundação da Companhia de Eletricidade de Brasília.
Trajetória até o voto popular
Mesmo com a extinção do cargo de prefeito, a população só obteve o direito de escolher o governador nas urnas com a promulgação da Constituição de 1988, resultando no primeiro pleito democrático para o executivo local em 1990.
Ao longo da primeira década após o fim das prefeituras, o comando do território ficou sob a responsabilidade de gestores biônicos nomeados pelo planalto, até que o processo eleitoral fosse definitivamente consolidado para os eleitores da região.






