O futebol nacional reúne todos os ingredientes para atrair as principais marcas do planeta: torcidas apaixonadas, alcance massivo de público e um mercado consumidor colossal. No entanto, corporações tradicionais como Coca-Cola, Pepsi, Gatorade, BBVA, Claro, KFC, Smart Fit e Hyundai seguem distantes dos uniformes e propriedades das equipes brasileiras, optando por patrocinar agremiações em outras nações latino-americana.
A ausência de gigantes internacionais nos times do país Essa lacuna é mapeada desde 2018 pela quinta edição do estudo bienal do IBOPE “Por que, ‘ainda’, não aqui?”. Enquanto o setor automotivo registrou forte crescimento — saltando de um para dez contratos entre 2024 e 2026 impulsionado pela chegada de montadoras chinesas como BYD, Leapmotor, GAC e GWM —, as marcas globais consolidadas mantêm a distância. Diante da discussão sobre restrições às casas de apostas, o questionamento ganha ainda mais força: o que realmente afasta esses investidores do mercado brasileiro?
Reputação, governança e o ambiente interno Especialistas apontam que a má imagem dos clubes funciona como um freio considerável. José Colagrossi, autor das primeiras edições do levantamento, destaca a escassez de profissionalismo, o excesso de dívidas e as falhas estruturais.
A visão dos especialistas em marketing esportivo Fábio Wolff aponta que o potencial existe, mas esbarra em equipes de marketing minúsculas nos gigantes do esporte. Eduardo Corch reforça que as companhias buscam instituições organizadas e com regras rígidas de compliance. Já Idel Halfen pondera que, embora o marketing tenha evoluído, o principal entrave reside na cúpula dos clubes associativos, onde presidentes ainda enxergam o setor como despesa. Rafael Plastina acrescenta que as multinacionais questionam o retorno estratégico comparado a outros países, além da falta de transmissões globais robustas da liga brasileira.
Endividamento bilionário e instabilidade política Por trás da reputação está a realidade financeira. Diversos grandes clubes acumulam passivos que superam R$ 1 bilhão, com alguns atingindo a faixa de R$ 2 bilhões ou mais. O quadro inclui transfer bans da FIFA, ações judiciais e discussões sobre o Fair Play Financeiro. No modelo associativo, a prioridade pelo curto prazo gera instabilidade e afasta empresas com critérios rígidos de conformidade.
A SAF e a busca por profissionalização Criada em 2021, a Lei da Sociedade Anônima do Futebol busca atrair capital e impor gestão empresarial. Embora traga avanços, o mercado reforça que “SAF não é solução; gestão é”. A transformação exige tempo, reestruturação e foco na criação de produtos estratégicos que vão muito além da simples exposição na camisa, superando barreiras para consolidar um ambiente de confiança no esporte nacional.






