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Devedor a gigante do agro: como a AGC virou império do mamão

‘Comecei do negativo’, diz empresário que hoje abastece grandes redes com mamão o ano inteiro

Fundada em 2002 com a venda de um carro por R$ 17 mil e R$ 35 mil em empréstimos, a AGC construiu um império no setor de cultivo e comercialização de mamão. “Tem gente que fala que começou do zero. Eu comecei do negativo”, conta o fundador Altenis Galavotti Carraretto.

Da revenda na Ceasa ao modelo integrado

Antes de abrir o próprio negócio, o empresário trabalhou na comercialização da fruta na Ceasa da Grande Vitória a partir de 1998. Ao sair, evitou concorrer diretamente com o antigo patrão e levou a mercadoria para mercados no Rio de Janeiro e em São Paulo, iniciando um processo que evoluiu da compra e venda diária para o plantio próprio.

Atualmente, o grupo processa de 40 a 50 caminhões de mamão por dia, movimentando entre 7 milhões e 8 milhões de quilos mensais e empregando cerca de 800 pessoas. A fruta responde por 90% da receita da companhia, enquanto o restante vem da comercialização de outros itens nas centrais de abastecimento.

Produção nacional e operação em três regiões

A operação está enraizada no estado que lidera a produção nacional. O Espírito Santo colheu 385,9 mil toneladas de mamão em 2025, o equivalente a 33,3% do total do país, segundo dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) divulgados pelo IBGE. A AGC expandiu suas atividades e hoje controla todas as etapas, desde o cultivo até o transporte com frota própria e a venda direta em boxes na Ceagesp e na Ceasa capixaba, além de centros de distribuição no Sul e no Nordeste.

O grupo conta com três unidades de processamento, conhecidas como packing houses. A matriz em Sooretama (ES) foca no papaya e recebe insumos locais e do sul da Bahia. A unidade em Minas Gerais atende o mercado interno com o tipo formosa, captando a produção do Vale do São Francisco e do cerrado. Já a planta em Baraúnas (RN) é dedicada exclusivamente à exportação.

Logística rigorosa e exigência das grandes redes

A presença em múltiplos polos produtivos assegura a oferta durante os doze meses do ano, exigência primordial do varejo alimentar. “Você tem que ter o produto todo dia”, afirma o CEO. A cadeia logística exige rapidez: após a colheita, a fruta é lavada e encerada, descansa por cerca de seis horas em câmara fria e precisa chegar ao mercado em até três dias.

No comércio exterior, todo o envio é feito por via aérea para a Europa, Canadá e Argentina. O tipo formosa já representa cerca de 80% das vendas externas do grupo. No primeiro trimestre de 2026, as exportações brasileiras de frutas somaram US$ 351,1 milhões, alta de 25% sobre o mesmo período anterior, com avanço de 19% em valor para o mamão, conforme dados da Abrafrutas.

Desafios econômicos e planos futuros

Apesar da escala, o cenário para 2026 traz custos mais elevados com o diesel, o piso mínimo do frete e gargalos na mão de obra, enquanto o consumo segue desaquecido. Nas negociações com supermercados, os contratos estipulam volumes, mas os preços flutuam semanalmente ou diariamente por meio de leilões reversos. “Todo dia é uma nova história”, resume o executivo.

Para o futuro, a meta do fundador é expandir o alcance da marca nacionalmente, comparando a estratégia à trajetória da Cacau Show no setor de chocolates. “Quanto mais o produtor estiver perto do ponto de venda, melhor vai ser o resultado”, conclui.

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