O soldado do Exército Pedro Gabriel Bezerra do Nascimento, de 20 anos, foi preso nesta quarta-feira (21), em Recife (PE). Ele era procurado desde o último sábado (17), quando deixou o quartel onde servia levando um fuzil e 20 munições.
Decisão da Justiça Militar Na terça-feira (20), a Justiça Militar da União havia decretado a prisão preventiva do militar. A decisão apontou risco à segurança coletiva e citou as suspeitas de abandono de posto e furto de material militar. Até a última atualização desta reportagem, não haviam sido divulgados detalhes sobre o local da prisão do soldado nem sobre a recuperação do fuzil e das munições.
Investigação e cúmplice O caso é investigado por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM). Segundo as investigações, o soldado desapareceu após sair do quartel com a arma e as munições, o que desencadeou buscas. Na segunda-feira (19), uma jovem também foi presa sob suspeita de ajudar o militar a deixar a unidade do Exército. A participação dela é apurada pelos investigadores.
Histórico familiar e perfil O soldado Pedro Gabriel ingressou no serviço militar em março de 2025, de acordo com o Portal de Transparência do governo federal. Ele começou a servir como soldado do efetivo profissional após concluir o serviço obrigatório no Exército. Ele está lotado no 7º Depósito de Suprimento, localizado no bairro do Cabanga, na área central do Recife, unidade subordinada ao Comando Militar do Nordeste.
A mãe de Pedro Gabriel, Tamires Ferreira, disse que o jovem mora com os avós maternos desde os 7 anos de idade, no bairro de Pau Amarelo, em Paulista. “A gente sempre morou, todos juntos, na mesma casa: eu, Pedro, minha mãe, meu pai e meu irmão. Eu conheci uma pessoa e me casei. Pedro chegou a morar comigo um mês, mas ele não se adaptou pelo fato que era muito apegado aos avós. E mesmo tendo pouca idade, a gente conversou, porque eu vi que ele estava sentindo muita falta e minha mãe também sofreu muito. A gente decidiu pela escolha dele. A gente perguntou e ele falou que queria ficar com os avós”, afirmou.
A dona de casa vive com o marido e o filho mais novo, de 10 anos, em Prazeres, a cerca de 39 quilômetros de Pau Amarelo, em Jaboatão dos Guararapes, também no Grande Recife. Apesar da distância, ela disse que falava com Pedro todos os dias e sempre acompanhou a vida dele. Além dos parentes, Pedro tem uma namorada, que conheceu recentemente.
Segundo Tamires, o soldado é “muito tranquilo” e, desde pequeno, frequentava uma igreja evangélica perto de casa. “As pessoas gostam dele, porque ele é uma pessoa boa. Então me admira muito isso tudo ter acontecido assim, porque não teria motivos. […] Pedro era um menino, desde a infância, a adolescência, [de] casa, escola e igreja”, declarou.
Ainda de acordo com a mãe, o pai dela é sargento aposentado da Polícia Militar e ajudou o neto quando ele tomou a decisão de seguir a carreira militar. “Quando chegou o período de ele se alistar, eu fui a primeira a perguntar. Ele estava meio em dúvida, depois: ‘ah, eu vou querer, mãe’. Meu pai instruiu ele, falou que não ia ser tão fácil. Tive muito medo no início, mas achei que aquilo também seria bom para ele, para ele já começar a criar uma responsabilidade, uma certa independência”, pontuou.
Fuga e repercussão O quartel onde o militar serve é utilizado para armazenar suprimentos, munições e armamento. De acordo com o Exército, o soldado desaparecido saiu do local levando um fuzil de calibre 7.62 milímetros e 20 munições, que eram do seu armamento individual, utilizados durante o serviço. O desfecho da ocorrência ocorreu com a captura do suspeito na capital pernambucana, enquanto as autoridades prosseguem com os desdobramentos legais do inquérito.






