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Flávio Bolsonaro nega fim do Bolsa Família e rebate ataques da campanha de Lula

Flávio nega plano para encerrar o Bolsa Família em 2 anos

O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) publicou um vídeo, nesta 2ª feira (19.out.2026), negando que pretenda encerrar o Bolsa Família. A manifestação ocorreu após correligionários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) explorarem declarações da equipe econômica da campanha do senador sobre as normas de transição do programa social.

Mudança de tom e críticas à oposição Procurando neutralizar o impacto político do tema, o candidato alterou sua postura pública e tratou a ofensiva dos rivais como uma “fake news cabeluda”, culpando o atual chefe do Executivo pela disseminação do boato.

“O futuro ex-presidente, o Lula, está espalhando uma fake news daquela cabeluda […]. E qual que é a mentira que ele está contando? Ele está dizendo por aí que eu acabaria com o Bolsa Família em até 2 anos. É óbvio que isso não vai acontecer, é óbvio que isso é mentira”, afirmou o senador.

Entenda a proposta de transição econômica O projeto defendido pela coordenação econômica não prevê o cancelamento do benefício após o período bienal. A ideia consiste em facilitar a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho formal ou estimular a abertura de empreendimentos próprios.

O mecanismo assegura a volta imediata ao programa caso a tentativa de inserção profissional não obtenha sucesso. Conforme explicou a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, em entrevista à rádio CBN Bahia, o cidadão continua recebendo os repasses mesmo mantendo uma ocupação remunerada durante os 24 meses iniciais.

Incentivo à autonomia financeira Segundo Flávio, a proposta é “muito melhor”, pois seria um “incentivo”. Ele afirma: “É para incentivar você, caso você queira, quando você arrumar um emprego de carteira assinada, você abrir a própria empresa, você continua recebendo o seu Bolsa Família por até 2 anos. E, se acontecer alguma coisa nesse meio tempo, você for demitido, por exemplo, ou a sua empresa não der certo, no mesmo dia você está recebendo o Bolsa Família”, afirmou.

O plano de governo com 76 páginas divulgado pelo candidato durante a corrida ao Planalto omite menções diretas ao projeto, ao benefício social e ao chamado “Ministério da Prosperidade”.

A polêmica e o histórico político A controvérsia ganhou força após uma entrevista concedida por Daniella na mesma 2ª feira (19.out). A economista detalhou o funcionamento do modelo de transição de dois anos para quem conseguir emprego formal ou abrir um negócio próprio.

“Quem está no Bolsa Família vai ter uma regra de transição, como teve na época do governo Bolsonaro, de 2 anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar emprego de carteira assinada, e retorno automático se der errado”, afirmou Daniella na entrevista.

A declaração foi amplamente compartilhada por apoiadores governistas, que também resgataram registros antigos em que o senador utilizava o termo pejorativo “bolsa-farelo” para se referir ao programa federal. Em 2011, por exemplo, o parlamentar propôs uma emenda para impor um limite temporal de dois anos ao recebimento da ajuda financeira.

Regras atuais e contexto eleitoral Atualmente, o programa já dispõe de uma normativa de proteção que permite às famílias cuja renda ultrapasse o limite de elegibilidade continuar recebendo 50% do montante original por um período de até 18 meses.

No âmbito econômico, a gestão petista elevou o piso do benefício em setembro de 2026, com um acréscimo de aproximadamente 15%, elevando o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691. A quantia estava congelada desde 2023 e passou a vigorar justamente nesta 2ª feira, sendo exigida uma renda per capita de até R$ 218 para elegibilidade.

A pauta tem sido explorada de forma recorrente pela base governista no segundo turno, que culminará na votação marcada para domingo (25.out.2026). A campanha do PL segue rebatendo as críticas sobre cortes em políticas públicas.

“Não iremos cortar programas sociais. Nós iremos cortar os privilégios em Brasília, férias de 60 dias, supersalários, viagens e outros privilégios, desperdícios da máquina pública e fechar o buraco das estatais para que a gente tenha um Estado mais eficiente”, disse.

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