Uma guloseima inusitada tem chamado a atenção de moradores e turistas na cidade de Ituporanga, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Trata-se de um bombom de chocolate com recheio de cebola caramelizada, que se tornou um verdadeiro ponto turístico gastronômico na região.
A origem da receita agridoce
A iguaria foi desenvolvida pela engenheira de alimentos Adriana Corrêa Bittencourt, proprietária de uma marca de chocolates artesanais no município que ostenta o título de Capital Nacional da Cebola. A criação surgiu para homenagear os colonizadores locais durante o primeiro festival gastronômico da cidade e, mesmo após três anos, continua sendo comercializada por R$ 4 cada unidade.
A criadora do doce lembra que quase desistiu da ideia no início. “Em um primeiro momento, pensei em desistir diante de algumas caras feias sobre o que poderia dar disso. Mas depois das aulas e direcionamentos do Sebrae, o chef me disse: ‘por que não’?. Foi aí que fui para a cozinha testar”, disse.
Como é feito o doce artesanal
Para a produção, utiliza-se cebola roxa caramelizada, técnica fundamental para diminuir a acidez natural do vegetal. Em seguida, o ingrediente é combinado com uma ganache de chocolate 40% cacau, cuja formulação exata permanece sob sigilo. O processo de fabricação é concluído com a trufagem da unidade.
O sucesso da iguaria está diretamente ligado à força agrícola da região. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ituporanga cultivou cebola em uma área de 4,8 mil hectares e alcançou uma produção de 168 mil toneladas em 2025, garantindo o segundo lugar entre os maiores produtores de todo o país.
Reações divididas e sucesso entre turistas
A experiência de degustar o doce gera diferentes reações no público, indo desde a desconfiança até a pura curiosidade. A empresária relata já ter ouvido comentários variados, que vão desde comparações com hambúrguer até aprovações sem planos de repetição, além de crianças que confundem o recheio com manga. O resultado final entrega um marcante sabor agridoce.
“A receita combinou justamente com o chocolate 40%. Ela não combinou com o chocolate ao leite, combinou com uma versão de chocolate meio amargo”, conta.
Com o passar do tempo, a repercussão da guloseima estimulou novos pedidos e variações, incluindo versões mais carregadas de cebola ou com notas picantes. O impacto das redes sociais atrai visitantes específicos para o estabelecimento. “Hoje, dentro da loja, a procura às vezes é só pelo bombom. As pessoas entram e falam: ‘Eu vim para comprar o bombom de cebola’. E acabam levando apenas ele”, diz.






