A chapa encabeçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou uma nova representação no Tribunal Superior Eleitoral nesta segunda-feira (19). A acusação aponta que a Meta persiste em beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas plataformas digitais, desrespeitando determinação da corte para assegurar equidade na disputa eleitoral.
Problemas na inteligência artificial e traduções
Conforme a petição apresentada ao tribunal, a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp mantém a entrega de material promocional pró-Bolsonaro por meio da tecnologia de inteligência artificial. A defesa aponta que pesquisas por termos como “presidente”, “presidência da república” e “eleições” — mesmo vinculadas a contextos fictícios — geram propagandas associadas ao número “22”.
Além disso, a coligação sustenta que o algoritmo da empresa altera o sentido de textos em comentários nas redes sociais. Frases críticas a Flávio Bolsonaro ou de apoio a Lula teriam suas traduções invertidas, transformando expressões como “Flávio futuro presidiário!!” em “Flávio future president!!” e “Nosso futuro presidiário” em “our future president”.
Acusação de desrespeito à Justiça Eleitoral
“Com isto, o eleitorado que consulta a ferramenta de IA da REPRESENTADArecebe propaganda do candidato adversário a partir de pedidos neutros, e o eleitorado que lê os comentários das publicações recebe, como tradução, o oposto do que o autor do comentário escreveu”, diz a ação.
Para os representantes da campanha governista, os episódios recentes demonstram que o problema não se trata de um erro isolado, como argumentado pela companhia, mas sim de uma falha estrutural e tendenciosa no sistema generativo da empresa. A coligação afirma que a suposta correção prometida não aconteceu.
“Em outras palavras, a META não apenas mentiu para o Relator, em suas petições anteriores, como abertamente descumpriu o principal comando da ordem judicial originária, em nítido desrespeito à dignidade dos agentes do processo e da própria Justiça Eleitoral.”
Sanções exigidas pela coligação
Diante do cenário, o grupo político requer que a Justiça obrigue a empresa a suspender a geração de conteúdo político via inteligência artificial e a intervir imediatamente nas distorções de tradução. A solicitação inclui ainda a elevação da multa diária por desobediência para R$ 1 milhão até a regularização total do sistema.






