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Nicolás Maduro e Cilia Flores negam culpa por tortura em tribunal nos EUA

Maduro e mulher se declaram inocentes de acusações de tortura

O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores, declararam-se inocentes nesta 5ª feira (15.oct.2026) perante a Justiça dos Estados Unidos das novas acusações de conspiração para torturar opositores políticos.

Audiência em Manhattan

A sessão judicial ocorreu em um tribunal federal de Manhattan, sob a condução do juiz distrital Alvin Hellerstein. O processo criminal que tramita em solo norte-americano foi ampliado na semana anterior para incluir as novas denúncias contra o ex-líder venezuelano, de 63 anos, e Flores, de 70. Anteriormente, ambos já haviam rechaçado imputações de abuso de poder para viabilizar o envio de cocaína aos norte-americanos.

Durante a presença na corte, o casal utilizou uniformes de detenção na cor bege e carregava algemas nos tornozelos. Ao ser questionado pelo magistrado sobre a sua posição frente aos crimes imputados, o ex-chefe de Estado contestou o texto da denúncia. “Eu vi tudo, juiz Hellerstein”, disse Maduro, referindo-se ao documento de acusação. “Rejeito este documento na íntegra.”

O juiz interrompeu o réu no momento da fala e determinou o registro formal de uma declaração de inocência em seu desfavor. Por sua vez, Flores se manifestou declarando: “Sou completamente inocente. Não sou culpada.”

Detalhes das investigações

Conforme dados divulgados pela agência Reuters, os promotores do Ministério Público Federal de Manhattan argumentam que o ex-governante direcionou ordens para que agentes estatais venezuelanos aplicassem tortura em políticos opositores e oficiais militares suspeitos de conspiração contra sua permanência no poder.

O dossiê cita um episódio específico de 3 de fevereiro de 2014, apontando que Maduro teria mandado sequestrar militares para extrair dados sobre dissidentes, além de orientar os executores a “pressioná-los com mais força” diante da resistência de alguns. A acusação aponta ainda que Flores apoiou a estratégia debatida no encontro e descartou uma sugestão alternativa de infiltração.

Os registros judiciais esclarecem que nem Maduro nem Flores respondem diretamente pela execução física de atos de tortura. Contudo, caso sejam considerados culpados em todas as acusações vigentes, cada um deles estará sujeito a uma condenação mínima obrigatória de 50 anos de reclusão. Em decorrência dos novos aditamentos ao processo, o magistrado responsável optou por postergar o início do julgamento em duas semanas, reprogramando-o para 14 de junho de 2027.

Prisão e contexto geopolítico

A detenção da dupla ocorreu em 3 de janeiro, após uma ação conduzida pelas forças armadas dos Estados Unidos determinada pelo presidente Donald Trump, filiado ao Partido Republicano. Os militares retiraram ambos de sua moradia oficial em Caracas e os conduziram aos Estados Unidos, onde permanecem custodiados no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn.

O histórico bilateral entre a gestão de Maduro e Washington foi marcado por forte animosidade ao longo dos 13 anos em que ele esteve à frente da nação sul-americana. Diversos governos norte-americanos aplicaram penalidades econômicas contra estatais e funcionários venezuelanos sob justificativas de corrupção, fraudes em pleitos eleitorais e violações de direitos humanos. Em contrapartida, Maduro argumentava que Washington tramava sua deposição para aceder às riquezas naturais da Venezuela.

Após a operação de captura, a antiga vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando interino do país e estreitou os laços diplomáticos e operacionais com o governo norte-americano. Trump tem utilizado essa intervenção e a reaproximação com a nação vizinha como trunfo de política externa visando às eleições legislativas de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, nas quais os republicanos pretendem preservar a maioria no Congresso.

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