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Governo planeja quatro leilões de ferrovias para 2027 na bolsa de valores

Ministério quer leiloar 4 concessões ferroviárias em 2027

O Ministério dos Transportes planeja realizar quatro leilões de concessões ferroviárias ao longo de 2027. O anúncio oficial ocorreu durante uma apresentação na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, detalhando que a carteira total reunirá R$ 160 bilhões em investimentos previstos para expansão, reforma e construção de malhas viárias no país.

Cronograma de licitações ferroviárias

A programação oficial separa os empreendimentos em diferentes datas ao longo do ano de 2027. O primeiro certame será o do Anel Ferroviário do Sudeste, agendado para abril. Na sequência, o governo pretende licitar a Malha Oeste em agosto, a Ferrogrão em setembro e o Corredor Leste-Oeste em outubro.

Outros quatro projetos — Corredor Paraná-Santa Catarina, Corredor Rio Grande, Corredor Mercosul e Extensão Norte da Ferrovia Norte-Sul — terão os editais publicados apenas em dezembro do próximo ano. A infraestrutura ferroviária atual busca superar o hiato de licitações federais, visto que o último leilão do tipo ocorreu em abril de 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), com a vitória da Bahia Mineração pelo trecho 1 da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), ligando Ilhéus a Caetité, na Bahia. Desde janeiro de 2023, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não concluiu novos certames desse formato.

Autorizações e novos terminais

Além das concessões tradicionais, a estratégia do governo engloba nove leilões de autorização ferroviária — sendo sete em abril e dois em novembro —, além da oferta permanente de 12 terminais greenfield em novas áreas. O modelo de autorização permite que a iniciativa privada recupere e explore ramais ociosos ou desativados mediante chamamentos públicos que podem contar com subsídios estatais.

Desafios para o investimento privado

A retomada das licitações esbarra na complexidade financeira do setor. Diferente das rodovias, que cobram pedágios desde o início da operação, as ferrovias dependem do estabelecimento de uma demanda sólida de cargas para gerar retorno, o que exige captação de longo prazo e aportes vultosos de capital.

Em agosto de 2026, o Tribunal de Contas da União aprovou um modelo inédito de chamamento público para trechos desativados, permitindo que empresas realizem estudos de viabilidade por até dois anos e solicitem recursos públicos se necessário. O primeiro teste desse formato será o Corredor Minas-Rio, com 733 km de trilhos ligando Minas Gerais e Rio de Janeiro, cujo leilão está marcado para dezembro e representa a primeira disputa ferroviária da atual administração federal.

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