Home / Política / Geleiras respondem por dois terços da alta dos mares, aponta Nasa

Geleiras respondem por dois terços da alta dos mares, aponta Nasa

⅔ da alta no nível dos oceanos vêm do derretimento de geleiras, diz Nasa

O avanço das águas nos oceanos globais tem ⅔ de seu volume impulsionados pelo derretimento de geleiras, de acordo com medições obtidas desde o meio da década de 1990. Os dados foram detalhados por Felix Landerer, cientista sênior da Nasa e um dos idealizadores do projeto GRACE-FO, tecnologia voltada para acompanhar a movimentação hídrica no globo.

Como funciona o monitoramento por satélites

O sistema tecnológico acompanha alterações no volume de grandes aquíferos subterrâneos, o recuo de calotas polares, a formação de correntes oceânicas e a quantidade de água retida em bacias hidrográficas e lagos. Entre 1993 e 2023, o acréscimo total na marca dos oceanos alcançou 11,1 centímetros. Além do gelo derretido, o terço restante do volume decorre da expansão térmica, fenômeno físico em que a água se expande conforme a temperatura marinha se eleva.

As perdas mais expressivas de gelo ocorrem na Antártica e na Groenlândia. No período entre 2002 e 2023, a Antártica eliminou cerca de 150 gigatoneladas de gelo por ano, provocando um acréscimo de 0,4 milímetros anuais na água salgada. No mesmo intervalo, a Groenlândia registrou perda aproximada de 270 gigatoneladas anuais, gerando uma alta de 0,8 milímetros por ano no nível global.

Tecnologia orbital e gravidade terrestre

Fruto de uma cooperação entre a agência espacial norte-americana e o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, a iniciativa teve sua primeira fase lançada em 2002 e substituída em 2018 pela GRACE-FO. A estrutura operacional compreende dois satélites idênticos que circundam a Terra a uma distância aproximada de 200 quilômetros, calculando variações no campo gravitacional por meio de micro-ondas e tecnologia laser.

“Mapeamos a cada mês o campo gravitacional terrestre e rastreamos as mudanças ao longo do tempo. Se fôssemos como a Lua, esse campo gravitacional não mudaria. Mas na Terra temos água, e a água está constantemente se movimentando. Portanto, o campo gravitacional muda e a distância entre os satélites varia. Dessa forma, podemos aprender sobre o derretimento do gelo”, explicou Landerer durante visita à sede do JPL em Pasadena, na Califórnia.

Consequências sociais e ambientais

A elevação contínua do volume marítimo intensifica o perigo de inundações em zonas litorâneas povoadas e ameaça a existência de cidades inteiras a longo prazo. Estimativas das Nações Unidas apontam que 770 milhões de cidadãos habitam regiões costeiras vulneráveis, sendo que um crescimento de meio metro até o encerramento do século poderá obrigar até 300 milhões de pessoas a abandonarem seus lares.

Ademais, a diminuição das geleiras compromete o suprimento hídrico para consumo humano, restringe a geração de energia em hidrelétricas e reduz a disponibilidade para a irrigação agrícola. Cerca de 2 bilhões de indivíduos no planeta dependem diretamente da água originada de geleiras, neve derretida e escoamento montanhoso para atividades essenciais.

Diretrizes globais e resposta internacional

Diante desse cenário, líderes globais aprovaram a primeira Declaração das Nações Unidas sobre a Elevação do Nível do Mar durante a Assembleia Geral da ONU. O texto estabelece diretrizes para que governos integrem projeções oceânicas no planejamento de portos, redes energéticas, sistemas hídricos e telecomunicações.

O documento também qualifica como urgente a captação de recursos financeiros públicos e privados para auxiliar na adaptação de nações em desenvolvimento, além de incentivar aportes em mecanismos de alerta precoce contra desastres e ressacas no litoral.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *